Aprender a escrever...

Aprender a escrever só se faz escrevendo. E só aprendemos bem aquilo que para nós tenha poesia.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Projeto - Parte 2, Capítulos 3 e 4



Capítulo 3 – Duplas problemáticas


– Sir Raitun! Lady Hana! – Mais problemas: Pyth voltou. Dessa vez junto de seu pai, e estão rumando para Midgard. A nossa mestra está segurando os dois com uma barreira e sendo auxiliada pela sacerdotisa Mary Anne. Elas não irão suportar por muito tempo.
– Precisamos ajudar. Algo mais a relatar?
– No momento não, Sir Raitun.
– Por que Yumi não entra em combate? E o que diabos Sigfried faz por perto sem ajudá-la? Indaga o aprendiz após sentir as auras do lugar.
– Querem nos ajudar a ganhar a aposta. Vamos nos apressar, aprendiz estúpido. –Responde Kitsu.
– Ainda não. Indo com corpo e alma avariados não vão poder fazer muita coisa.
– Alexis, a mestra em artes de cura. Sendo você quem diz, devemos realmente esperar. Diz a raposa, enquanto a recém aparecida Alexis começa seu trabalho. Envolvendo os alvos em escudos de mana e luz ela começa a recuperar não apenas as feridas físicas, como as espirituais, além de recuperar o mana dos guerreiros. Isso leva algum tempo, considerando a quantidade de alvos da magia e a quantidade de mana perdida. Após severos minutos gastos com a sessão de cura, o time de quatro pessoas (ou três pessoas e uma raposa, como preferir) se dirige ao campo de batalha. A elfa sacerdotisa retorna para seu templo, e reza por uma vitória sem maiores danos ao reino e seus habitantes. No caminho a raposa volta a se fundir com o aprendiz, e o time agora composto por uma raposa montada por duas mulheres estonteantes se põe novamente a caminho, planejando destruir os ameaçadores dragões.
– É, até que é confortável montar no aprendiz, não acha?
– Dessa vez eu concordo, tem algo de bom nele.
– Será que é confortável montar na forma original dele? – Pergunta Lilith com uma ligeira malícia em seu sorriso
– Não sei... Mas dá vontade de testar.
– Sei como é isso, também tenho.
– Parem de falar essas coisas pervertidas como se estivessem sozinhas! Diz o aprendiz interrompendo as duas.
– Mas estamos sozinhas, e montadas em uma raposa gigante.
– Dessa vez não temos culpa. Você quem foi ver o lado pervertido da situação, seu pervertido.
– Calem-se. – A raposa abaixa as orelhas e ganha velocidade rapidamente, Com o impulso Lilith Se desequilibra e abraça Hana para não cair.
– O que houve? Indaga Hana
– É que eu tive que me segurar para não cair.
– E foi segurar exatamente meus seios?
– Ah, foram as primeiras coisas que encontrei. Perdão.
– Você ainda está apalpando-os.
– São bem volumosos, assim como o aprendiz constatou. E macios. Bem macios.
– Pare com isso! Assim você vai acabar me deixando com vontade de... Pegar nos seus!
– Você quer coisa fofa?
– Posso mesmo? Diz Hana com os olhos cintilando
– Não, não pode! Grita o aprendiz interrompendo as duas – Parem com isso!
– Ora... Ataque de ciúmes. E olhe que nem começamos nada. – diz Lilith, na mais pura intenção de provocar o aprendiz. A raposa dessa vez foi mais esperta, e o foi suficiente para fugir da armadilha.
– Vulpes agilita! – Dizendo as palavras certas, a raposa se move para o destino como um raio de luz.
– “Parabéns... aprendeu a minha técnica. Aliás, fez algo mais: aprendeu o nome da técnica. Saiba que existe um abismo de diferença em saber ou não saber o nome.”
– “Deu para perceber pelas espadas. Elas eram apenas espadas até eu conseguir ouvir seus nomes.”
– Finalmente chegou, diz a voz de Lilith.
– Raposas são tão desligadas a ponto de chegarem atrasadas nas suas missões? –Indaga Hana
– “Não, já os aprendizes pervertidos cujo mestre raposa não tem controle da velocidade...”
– “Dane-se, raposa estúpida.”
– “Olhe para frente e responda, aprendiz idiota.”
– “Perdão pelo atraso”, responde o aprendiz. Só após isso nota que apesar do peso de suas costas se manterem igual, as duas mesmas mulheres sorriam à sua frente.
– Estranho... Algum tipo de ilusão?
– Não, tente novamente. – respondem as quatro juntas.
– Ahn... Aqui a matéria pode ocupar dois lugares simultaneamente?
– Não, aqui nós podemos fazer clones. – Dizem as originais, enquanto os clones se desfazem em fumaça.
– Explique-se.
– Treinamento. Você deveria estar atento, perceber que eram clones e se apressado. Fique sempre alerta Raitun, pessoas podem se transformar em algum aliado seu, mas se você estiver alerta pode detectar que é um impostor. – Explica Hana
– Há quanto tempo... Quem é você mesmo? – diz Lilith
– Esqueceu meu nome agora?
– Mentira! Era brincadeira, coisa fofa. Após uma pausa, ela continua: estive te esperando.
– Como assim?
– Há muito tempo... Estive te esperando.
– Do que você está falando?
– Te esperei muito... Muito, muito... Por muito tempo. – Lilith abraça o aprendiz, o mais forte que pode, mesmo que ele não esteja em forma humanóide. O aprendiz em sua forma de raposa, sendo esquentado pelo calor do corpo da sacerdotisa responde
– Não entendo... Mas sinto que são palavras tristes... Muito... Muito tristes. Farei o que puder para entender... Portanto, tente me ajudar com isso.
– Ajudarei no que for necessário, coisa fofa.
– O casal pode parar com o namoro e se concentrar?
– Não somos namorados! Dizem os dois ao mesmo tempo, em sincronia perfeita
– Ainda não... – Comenta Yumi.
– Abra a barreira, fala a raposa, e a Arquiduquesa atende prontamente o pedido. Assim recomeça o embate das bestas. Pyth contra a raposa, Hanna e Lilith contra Loth. Sem paciência, e talvez para contrariar a última batalha, o primeiro dragão é fácil e rapidamente vencido com uma mordida no pescoço. O grande problema agora era Loth.  O pai do dragão morto, que além de poderoso era arrogante, estava “apenas esmagando insetos”.
– As suas flechas são a única das nossas habilidades que causa algum dano nele.
– Mas não são poderosas o suficiente.
– E se elas fossem poderosas o suficiente?
– Como você pretende causar um dano tão maciço e derrubar um dragão com uma flecha?
– Usando meu mana além do seu, diz o garoto voltando à forma original. Vamos unir nossos poderes assim como fiz com a raposa.
– Não nos resta nada a não ser tentar. Kitsu, Hanna, criem uma abertura. Yumi, Mary, fiquem na cobertura, assim não se esforçarão tanto.
– Graciosa até nas mínimas ordens, comenta Raitun.
– Galante como sempre. – Responde a sacerdotisa, e após a situação acena para o aprendiz, este põe sua mão sobre o ombro dela e transfere um pouco do seu poder para ela, que lança os dois poderes no coração do dragão.
– Vocês (se referindo também a Kitsu que havia ajudado no último golpe) não precisavam ter dado tanto poder para minha flecha, o de um só é suficiente. Acho.
– O que importa é que ganhemos nossa aposta, ou talvez um pouco mais.

Capítulo 4 – Algo bom e Nada bom


– Nada bom. Algo mais poderoso está vindo, comenta Yumi com uma expressão preocupada.
– Mais poderoso quanto?
– Mais do que os outros dois juntos. Não entendo, a existência dele havia sido apagada há tanto tempo, não acredito que seja realmente ele.
– Quem é esse “ele”? Pergunta o garoto.
– Ayenth.
– Ayenth?! Indaga um coro incrédulo.
– Quem diabos é Ayenth?
– Temos tempo para isso? Pergunta a grande raposa. Após receber uma resposta positiva retoma as palavras. Preste atenção garoto, pois tenho uma história antiga e dominada por magias para lhe contar. Embebida em coisas épicas, excentricidades e valores. Um breve silêncio tomou conta do local naquele momento.
– Por que a hesitação Kitsu? Pergunta Raitun, afinal em vez de história escutou silêncio após aquelas palavras.
– Tempus levitatus... É o que ela responde.
– O tempo voa, em uma língua morta do seu mundo. Para os personagens de uma história tudo parece ter acontecido ontem, ou estar acontecendo, diz Lilith.
– Voltando os ponteiros, você vai descobrir muitas coisas ocultas. – Talvez a raposa tenha dito isso como forma de traduzir algo que Lilith resmungou de forma não compreensível. A sacerdotisa continua.
– Deixe isso comigo. Não é o momento certo de se ficar contando histórias épicas. Quando for faço bom uso do recurso.
– Concordo. E antes de tudo, é uma sugestão da grande Lilith, comenta Yumi. Hanna acena positivamente, mostrando concordar também.
– Já que todas as meninas concordaram, o seu desejo mútuo será uma ordem. Lembre-se de todos os detalhes se possível.
– Um detalhe muito importante é o local do seu túmulo: aqui.
– E você é...?! Pergunta Lilith, fitando o encapuzado que acabar de proferir e rase e aparecer em meio a eles. Em vez de responder verbalmente, este se transforma em um dragão. Um enorme dragão. Negro, maior que os outros dois e com uma aura terrível, realmente densa e assustadora para o aprendiz.
– Holy Arrow! São as primeiras palavras da batalha proferidas por Lilith, invocando uma flecha de luz sagrada. A flecha causa um dano considerável na asa do dragão, infelizmente ele também tem uma regeneração estupidamente rápida. O aprendiz puxa suas katanas e começa a tentar atacar o dragão. Apesar do empenho e da quantidade de golpes, os ataques físicos do aprendiz são inúteis em relação a regeneração quase instantânea. Os ataques com a música vindos da guitarra de Hanna também não surtem efeito. Canções de ninar não fazem demônios terem pesadelos, a melodia dos trovões não traz nenhum medo aos orgulhosos serem acostumados a rotineiramente aniquilar cavaleiros: Uma flecha sagrada abre mais um furo em sua asa, e é o que o grupo precisava para matar a charada do ponto fraco do inimigo.
– Use novamente seu poder! Grita Raitun. E dessa vez, mantenha o foco no coração!
– A marca inscrita nesse coração orgulhoso é muito grande para este simples inseto que vocês chamam de sacerdotisa arranhá-lo. Nossa escuridão é mais densa que a sua luz, e por isso este lugar seu túmulo.
– Como diria a Louise... No reino de Montris o inseto esmaga VOCÊ! Gritou o aprendiz e continuou a mensagem diretamente dirigida para a mente da sacerdotisa.
– “Por que ainda não atirou?”
– “Por que meu poder é suficiente. Você viu que não é, que a regeneração dele é muito alta. Se eu quisesse atirar duas flechas no meio tempo ele teria se regenerado.”
– “Eu já sei, e já disse para você usar o meu poder junto do seu se preciso. Confie em mim”
– Vamos?
– Vamos.

Projeto - Parte 2, Capítulo 2



Capítulo 2 – Um inseto entre bestas antigas


– O que veio fazer aqui humana? O que você é para querer entrar em nossa luta?
– Ah, apenas um inseto. Diria até que sou... Um grilo falante, quem sabe. Porém, como será que ficaria o orgulho de um dragão que foi vencido por um grilo falante?
– Uh, e o “poderoso grilo falante” pretende me esmagar?
– Ora, como diria uma sacerdotisa de nosso reino, No reino de Montris, o inseto pode esmagar VOCÊ!!!
– Você é a próxima da lista então – o dragão se vira para a raposa, juntando mana e os raios em volta das asas. Canaliza tudo em um único ataque em lança na raposa de três caudas. A “intrusa” aparece entre a raposa e o ataque, tocando uma música em um violino. Uma barreira mística se levanta à sua frente, e o ataque é parado com facilidade, sem surtir nenhum efeito.
– Defense sonata.
– Você usou uma música para criar uma barreira... É assim que pretende me esmagar? Vai invocar uma orquestra como seu exército?
– Requiem of Dreams. – A música tocada muda, e o dragão desaba. Dormindo em sono profundo. –Vocês dragões tem o ego muito grande. E a boca também.
– Quem é você, e como fez isso?
– Ah, então não é a Kitsu de verdade, por isso estava apanhando. Fiz isso exatamente do jeito dragão disse. Uma música. Se palavras têm poder, imagine quando inseridas em uma melodia? A música tem seu poder se tocada da maneira certa.
– Você pode me ensinar?
– Não, ainda não. Hora de acordar o dragão. Vá.
– Acordar aquele dragão que estava prestes a me matar a alguns instantes atrás?
– É exatamente aquele. Não tem outro aqui, tem? Não questione aprendiz, apenas faça o que estão lhe mandando. – diz Lilith, que acabara de recobrar os sentidos, com uma voz fraca. Com alguns ataques a raposa finalmente consegue acordar o dragão, mas pela reação deste, ele não estava tendo uma boa noite de sono com bons sonhos.
– Maldita sejais tu, pirralha anã! Serás reduzida a cinzas!
– Pirralha? Anã? – a garota com o violino começa a rir – me reduzir a cinzas... –o riso se torna uma gargalhada debochada, que para repentinamente. – Depois do sono de beleza, o choro e a piada. Está na hora de voltar para debaixo da asa de seu papai.
– Toque, pequena mestra. – diz o aprendiz raposa.
– Requiem of fear. Além da mudança de música, agora há um mudança de instrumento. O violino se transforma em uma guitarra roxa, e a música calma se transforma em uma música realmente assustadora, que parecia ter como acompanhamento as vozes dos que já se foram. A misteriosa pessoa encapuzada some junto com a chuva, deixando o céu nublado vigiar as duas bestes e as duas mulheres. O pavor da música toma conta do dragão, e este trata de fugir, como se fugisse do seu maior medo em sua essência.
– Primeiro um violino, e agora uma guitarra. E ainda por cima, só a guitarra. Mundo realmente estranho. Mas, por que você fez aquilo?– indaga o aprendiz
– Para que ele não lhe matasse. Você ainda é fraco. – O comentário atiçou o fogo da raposa novamente. Ao perceber que a quarta chama está quase acendendo, a garota puxa da manga uma flauta de bambu e troca novamente de melodia. As chamas começam a se apagar, e o nome da melodia se revela: Sealed flute. Kitsu volta ao mundo físico e o aprendiz, em sua forma original inicia mais um questionário.
– Habilidade interessante. Você consegue tocar algo que traga comida? Lutar me deixou faminto.
– Não, ainda não achei esta partitura.
– Qual o seu nome?
– Hana.
– Um nome do tamanho dela, não concorda? – comenta Kitsu.
– Vá se danar, raposa estúpida. – respondem os dois a Kitsu
– E você se fizer alguma piadinha está morto. – diz Hana, agora bem próxima a Raitun.
– Entendido. A senhorita se incomoda em tirar um pouco o capuz?
– Acho que me incomoda mais ser chamada desse jeito. –diz ela, tirando o capuz
– Hum... Aproximadamente um metro e meio, cabelos e olhos castanhos... Pele negra, ah, e seios volumosos... – diz ele, pensando alto enquanto escreve as coisas no seu caderno de anotações. Alto de mais. Alto o suficiente para ser interrompido por um murro da musicista, agora de costas para ele e recolocando o capuz.
– Mais uma palavra sobre eles e lhe garanto uma morte lenta e dolorosa, bem dolorosa.
– Tuntun, que tal então falar dos meus e ficar vivo? –Diz Lilith, enquanto o aprendiz escreve algo e tenta responder (Talvez tenha sido alguma reação a dois volumes que lhe pressionavam as costas).
– I-isso lá é coisa para uma sacerdotisa ficar dizendo? –grita o aprendiz, tentando se desvencilhar do abraço por trás dado por Lilith. –Ah, quanto à minha morte, seria uma honra morrer em suas mãos, porém sinto que não posso morrer ainda.
– “Como você se recuperou?”– pergunta mentalmente para Lilly
–“Tenho meus truques garoto.”
– Não pode morrer ainda, por...?– indaga Hana
– Por que preciso ganhar a aposta!
– Você é fraco.
– Então me ensine como colocar as músicas em minha lâmina! – “ou, algo do tipo” pensa ele.
– Como diria a Louise, No reino de Montris, a música aprende sobre VOCÊ!
– Pare de imitar a Louise, é muito repetitivo.
– Nessas horas me lembro da estranha sabedoria dela, apenas isso.
– Mas, e então...
– Então você deve aprender sozinho o que deve aprender sozinho.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Projeto - Parte 2, Capítulo 1



Parte 2


Capítulo 1 – Hora do over hit


– Vamos, pare de escrever, pirralho insolente. Eu tenho a sua libertação entre meus dentes e assim é que eu sou tratado?
– Como assim raposa? Qual a armação da vez?
– Chegou a hora de aplicarmos o over hit.
– Over hit? O que será que é um over hit?
– Será o golpe final que de bônus trará a vitória de nossa aposta. E como efeito adicional pode até arrancar a máscara daquela substituta.
– A Hatsumomo não é má, Kitsu, você está se enganando nisso.
– Sem tempo para discussões bobas e assuntos triviais. Lembra sobre aquela previsão de Alexis do dragão mais poderoso?
– Lembro, dizem que ela quase sempre acerta. Mas o que tem a previsão dela?
– Matando ele o over hit será efetuado com sucesso.
– Matar o dragão mais poderoso que já existiu?  Como vou matar o dragão mais poderoso, se no último precisei de sua ajuda, e você ainda disse que ele era um lixo?
– Agora além de se subestimar quer fazer o mesmo comigo? Suas habilidades guiadas pela minha inteligência serão suficientes.
– Sir Raitun, relatando problemas. – diz o aiodrome do aprendiz, interrompendo a conversa. – Um dragão muito poderoso invadiu o reino pelo sul. A sacerdotisa Lilith está em combate contra ele no momento.
– Pyth. Nada bom... Não achei que ele vinha tão cedo. Raitun, temos de executar o over hit agora. Lilith não tem poder suficiente para derrotar Pyth.
– Quem é Pyth?
– Pyth é um dragão de verdade, filho da primeira geração pura de dragões nascido há muitos anos. Um dragão vermelho de seis asas, filho de Loth. É um dos dragões mais poderosos, ao Lado de Loth e Ayenth, o primogênito. Dizem que domina mais do que fogo e que mora próximo ao submundo. É mais do que suficiente para ganhar um desejo, não acha?
– E como você sabe quem é ele? Como você sabe como ele é?
– Não temos tempo para isso, preciso liberar suas habilidades, precisamos dar assistência a Lilith.
– Até agora você não me explicou como vai “liberar minhas habilidades”. –
A raposa toma forma de um aiodrome, e entra no corpo da Raitun. Voltamos ao mundo espiritual do aprendiz.
– Ei, como você entrou aqui? Por que você está aqui?
– Liberando selo do modo Kyuubi. – O aprendiz não tempo de perguntar o significado da frase. A mana da raposa invade o local, e um símbolo estranho dentro de um círculo aparece no chão.
– Uma barreira mística circular.  – continua a raposa. – Sabia que ele tinha esse recurso no meio de suas habilidades e contratos. – O aprendiz continua a não entender, e se resume a observar. Havia nove figuras fora do círculo, que por acaso se move e deixa o aprendiz dentro dele. As novas figuras lembravam chamas, e um chama se acende em cima de uma figura. Ao passo que uma acende, uma cauda da raposa faz o mesmo. Um fio de mana atravessa a barreira e atinge o aprendiz dentro do círculo envolto pela barreira, formando uma espécie de ligação ente os dois.
– “Agora entendo” – pensa o aprendiz.
– “Então faça logo, antes que a Lilith morra.”
– “Liberando modo Kyuubi, primeira cauda.” – Agora o susto é dar gêmeas ao ver seu mestre se transformando. Agora havia duas raposas gigantes liberando um poder monstruoso enquanto estão ligados por um fio de mana.
– O que eles pretendem fazer afinal? Uma explosão gigantesca?
– Não, vão exterminar o dragão.
– E o que eles estão fazendo?
– Kitsu está funcionando como um selo para o poder de Raitun. Ele está suprimindo o poder dele, para que Raitun mantenha seu foco e não se descontrole. Ele não consegue controlar tanta mana ainda.
– Esses mestres estranhos que nós temos... – em meio à conversa das gêmeas, o corpo físico de Raitun toma a forma da raposa gigante e se dirige para o sul no intuito de ajudar a sacerdotisa. Esta, no decorrer da luta com o dragão percebe que suas flechas não causam muito dano ao dragão, pela rápida regeneração dele. Apreensiva com a demora da chegada de reforços, apenas se desvia dos golpes. Era o máximo que poderia fazer aproveitando-se de sua velocidade e agilidade. Sua expressão mostra apenas relativa calma e confiança quando sente a aura aliada nas suas costas: uma raposa gigante, quase do tamanho do dragão, patas e cauda em chamas, olhos amarelos fixos no inimigo.
– Onde está a sua pontualidade? – indaga Lilith
– Sincronizar e controlar isso não são tão coisas tão fáceis de fazer quanto parecem ser. – respondem em coro as vozes de Raitun e Kitsu.
– “Você não tinha mencionado que nossas vozes ficariam juntas. Agora ela sabe que estamos unidos.”
– “Aprendiz idiota. Ela sempre soube disso e do plano. Por que você acha que foi designado para fazer isso? Um problema desses é resolvido por alguém do nível de Lorde imperial!” – Porém o momento de diálogo é um descuido que acaba custando caro. O dragão finalmente consegue acertar a sacerdotisa, e esta é lançada para longe com a patada certeira. Depois de se certificar que realmente a sacerdotisa está agonizando, ele olha com desprezo a raposa que está se preparando para atacá-lo.
– Agora raposas querem se comparar aos dragões? Meu pai gostaria de perder tempo esmagando vermes insolentes como vocês.
– Quem sabe não sejamos superiores a dragões que falam de seu reflexo usando nomes alheios? Quanto a seu pai, uma pergunta: ele realmente se incomoda com nós, ou o filho do qual ele tanto se orgulha é fraco a ponto de precisar da ajuda do pai para esmagar uma “reles raposa”?
A arte das ilusões é praticada com maestria por raposas, e usar palavras para tal propósito não é algo fora de cogitação, afinal, palavras tem o poder, detêm a vida e o sentimento de quem as usa.
– Toda e qualquer existência desse reino será desintegrada graças à existência maldita, raposa! Aliás, por que não começamos com as penas da arqueira de curvas perigosas?
 A primeira baforada do dragão é direcionada para Lilith, porém a raposa se transporta para a frente da sacerdotisa a tempo de criar uma barreira de fogo como proteção. A ira do aprendiz começa a ser canalizada em poder, e mais uma chama se acende. Mais uma cauda aparece.
– Ora, então terei o “grande prazer” de esmagar a “lendária” Kyuubi?!
– Tocar no orgulho de uma raposa. Imperdoável. Kitsuhi!
O fogo gelado da raposa bate de frente com a baforada de fogo do dragão, e em disputa de fogo contra fogo, o dragão é forçado a se desviar antes de ser atingido. Esse movimento dá tempo suficiente para a raposa pular com garras e dentes em cima do dragão, e as duas criaturas começam um embate feroz e destruidor. Cada vez mais a ira do garoto aumenta, e ela se acumula em quantidade suficiente para libertar uma terceira cauda. A terceira cauda dá leve vantagem em poder de ataque para a raposa, o que não faz diferença, pois mesmo que as duas criaturas se dilacerem também se regeneram muito rápido. O céu começa a se fechar com nuvens negras, e o aprendiz nota que uma nova aura se aproxima. Seus olhos amarelos rapidamente varrem o local procurando o portador da aura, enquanto seu corpo reage e desvia por reflexo. Finalmente acha algo: alguém afastado do local da luta, alguém que usava um capuz e uma foice parecia manipular as nuvens. Porém não tem tempo para refletir sobre o portador da aura, está no meio de uma luta, e uma luta que pode mudar sua vida (afinal, “um desejo concedido” é algo bem poderoso, sendo utilizado da maneira correta). Lágrimas do céu caem sobre duas bestas em fúria, e logicamente, a água toda enfraqueceria teoricamente o fogo do dragão, principalmente. Infelizmente a aparente vantagem acaba se tornando um grande problema: com a mudança de cenário o dragão muda também seu elemento. Ser atingido por uma técnica de raio em meio a uma chuva torrencial, quando se está ensopado é uma péssima ideia, não importando o fato de você ser um garotinho ou uma raposa mística com um terço do seu poder liberado. As primeiras descargas liberadas pelo dragão são desviadas/defendidas com certa dificuldade. Depois veio uma rajada contínua de raios e mana, que acaba derrubando a raposa. Quando uma bola de neve começa a rolar, tende inevitavelmente a aumentar de tamanho.
– “Raposa, vamos liberar a próxima cauda.”
– “Não. Muito perigoso, se você perder o controle vai acabar ajudando ele a destruir o reino.”
– “Irei destruir o dragão! Não posso deixá-lo impune pelo que ele fez a Lilith, iremos reduzi-lo a pó!”
– “Isso tudo pela Lilith?!”
– “Cale-se, raposa maldita! Ajude-me de uma vez!”
– “Responda, pirralho estúpido!”– Enquanto a discussão e o caos acentuam a tempestade do mundo espiritual de Raitun, mais uma presença aparece quando o dragão preparava seu golpe de misericórdia.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Projeto - Capítulo 28 ( Fim da parte 1)



Capítulo 28 – O caminho a seguir

        
– O caminho.
–Como assim?
– O caminho de um aprendiz. Hora de por suas habilidades em prática.
– Como farei isso?
– Você irá fazer trabalhos, missões para o reino, assistido por mim.
– Quando e onde começamos?
– Agora. Sua primeira missão é apanhar aquele gato preto à nossa frente. Ele definitivamente não é daqui. – O garoto ia perguntar algo, porém o medo dos olhos amarelos da raposa é maior e o impede. A única opção que lhe resta é tentar em vão pegar o tal gato. E falhar inúmeras vezes. Logicamente, o gato não era dos mais comuns. Saltava, mudava de direção no ar e por vezes até sorria debochadamente de orelha a orelha de Raitun, sumindo e virando fumaça quando Raitun tocava seu corpo. Finalmente a irritação supera a paciência e os olhos amarelos da raposa aprendiz fixam o alvo da missão.
– Gato idiota!– diz Raitun, enquanto as raposas invocadas por ele rapidamente (e finalmente) capturam o gato.
– Você entendeu o que disse sobre "usar suas habilidades" ou é o aprendiz mais idiota desse reino?
– Acho que apenas não me acostumei a ter "habilidades".
– Perder para um gato, lamentável.
–Ora, cale-se! Raposa maldita.
– Exijo respeito de fracos que perdem para gatos. Devem me chamar no mínimo de "Grande Raposa".
– Qual a próxima missão, ó grande e honorável raposa?
– Eu deveria condenar a virar escravo quem falha miseravelmente a honra das raposas perdendo assim para um gato. Lamento não poder fazer isso dessa vez. – Logicamente, tal frase levanta a questão "por que dessa vez não?”, mas perguntas desse tipo são sufocadas por qualquer coisa, a todo custo. Você também acaba de ter a impressão de que tais perguntas voltarão com o vento? Então estás realmente imerso em nossas memórias. O caminho do aprendiz acaba de começar, e seu tamanho é relativo, assim como tudo o é, não importando em qual mundo estamos. Não lembro onde ou quando, mas aprendi que esse conjunto de relações e coisas de certa forma garante nossa sobrevivência nossa alegria e nossa dor.  Basicamente o caminho do aprendiz seria absorver o máximo dessas relações, usando o aprendido para aprender. Aprender várias lições de vida, para ter recursos para sair de várias situações problemáticas, e ajudar outros com suas dúvidas. Resumidamente, funciona como mais um círculo vicioso como muitos outros existentes, e o complicado é explicar o que alimenta essas coisas estranhas que os humanos sentem. Alguns poderiam dizer que o motivo para trilhar este ou outro caminho é a vontade própria, o que neste caso podemos chamar de "sede de aprendizado". Não considero um motivo algo forte o suficiente para uma prática ou tradição ser mantida de forma eterna ou duradoura. As coisas mais importantes são feitas sem motivos específicos na maioria das vezes. Relacionamentos, laços, memórias e coisas duradouras de qualquer tipo são mantidas sem motivos nenhum, construídas sem motivo nenhum, e consideradas coisas extremamente importantes sem motivo nenhum em especial. É como dizer algo como "Vou fazer isso com todas as forças, juro pela minha alma!", é como dizer “Espero que eu guarde aquelas palavras, aquele sorriso, aquele gesto, aquele cheiro para sempre. Se isso não for possível, que eu o faça pelo maior tempo possível.”
– Chega de escrever por hoje, pirralho estúpido!
– Cale-se, raposa maldita!
 O caminho do aprendiz havia continuado. Algum tempo havia se passado, e agora Raitun ganha mais fama e suas habilidades chegam a ser superestimadas a ponto de Kitsu, seu tutor, fazer uma aposta com o próprio Imperador do reino, Crossmusse Del Alfarroz II em pessoa. E a aposta foi apoiada pelos Lordes Imperiais e sacerdotisas, todos do lado de Raitun. Isso ocorreu em uma ocasião onde Raitun foi chamado para entreter a corte (Herança gueixa. Interessante não é?). Em meio às conversas saiu um “Se ele não pagar suas dívidas com o reino nos próximos três meses seremos seus escravos, nos rebaixaremos a simples cães fiéis. Porém, caso ele consiga, eu tenho direito total sobre os ganhos futuros dele, vossa majestade devolve metade do que ele ganhou nos três meses a nós dois, e ele tem direito a um desejo, qualquer um.” Os ganhos citados são relacionados com as missões e caçadas. Grande parte ia para o reino, em forma de impostos e manutenção de estragos feitos em alguma luta. Como um aprendiz no começo da vida faz muitas coisas erradas antes de aprender, toma tempo, equipamentos e outras coisas ele forma uma dívida maior do que o que ele ganha nas missões. Uma oferta tentadora para o anão. Aprendizes ganham muito pouco, afinal, são fracos demais para fazer missões mais perigosas, só conseguem saldar suas dívidas após anos, caso tenham sucesso. E é quando deixam de ser aprendizes. Ninguém ficou mais feliz com isso do que Hatsumomo, cujo ódio pelo aprendiz crescia, rancor e escuridão engoliam tudo aos poucos. Muitos dizem que ódio e amor são muito próximos, mas isso é história para outro momento. A raposa tinha desde um início um plano arquitetado, afinal, raposas não entram em apostas sem ter certeza de que vão ganhar (ainda mais se falando em uma aposta que coloca seu orgulho e honra em jogo).

“Olá. Sim, sou eu de novo. Não, não importa quem eu sou, você que é importante aqui. Você e o Raitun. Espero que não tenham se espantado por ele ser careca. Dizem por aí que ele simplesmente não gosta muito do próprio cabelo, ou que ele é uma espécie de guerreiro-mago-monge, ou qualquer coisa do tipo. Eu não digo nada, apenas conto e pergunto: você gostou? Espero que sim, sabe... e... bem, apesar de ainda ter muita coisa pra contar, pelo menos você já sabe agora o que é um aiodrome e essas coisas do tipo. E quem é o Raitun. Bem, pelo menos agora vocês acham que sabem. Eu também acho que sei. Quem sabe um dia enquanto eu vou contando e vocês ouvindo não descobrimos a verdade sobre eles? Ah sim, o que eu sei até agora é: é verdade que ainda não aconteceram muitas guerras e batalhas tão épicas, mas elas estão mais perto do que longe. Caso você queira continuar a ouvir o que eu conto, vai dar de cara com elas daqui a pouco, assim como deu de cara com Montris. ‘Puf’!!!”

Ass: Aquilo que conta
P.S.: Espero que você continue, assim não vai ter sido em vão eu ter contado que aiodromes são mais interessantes do que se imagina. E um protagonista careca também!
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