Aprender a escrever...

Aprender a escrever só se faz escrevendo. E só aprendemos bem aquilo que para nós tenha poesia.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Projeto - Parte 2, Capítulos 3 e 4



Capítulo 3 – Duplas problemáticas


– Sir Raitun! Lady Hana! – Mais problemas: Pyth voltou. Dessa vez junto de seu pai, e estão rumando para Midgard. A nossa mestra está segurando os dois com uma barreira e sendo auxiliada pela sacerdotisa Mary Anne. Elas não irão suportar por muito tempo.
– Precisamos ajudar. Algo mais a relatar?
– No momento não, Sir Raitun.
– Por que Yumi não entra em combate? E o que diabos Sigfried faz por perto sem ajudá-la? Indaga o aprendiz após sentir as auras do lugar.
– Querem nos ajudar a ganhar a aposta. Vamos nos apressar, aprendiz estúpido. –Responde Kitsu.
– Ainda não. Indo com corpo e alma avariados não vão poder fazer muita coisa.
– Alexis, a mestra em artes de cura. Sendo você quem diz, devemos realmente esperar. Diz a raposa, enquanto a recém aparecida Alexis começa seu trabalho. Envolvendo os alvos em escudos de mana e luz ela começa a recuperar não apenas as feridas físicas, como as espirituais, além de recuperar o mana dos guerreiros. Isso leva algum tempo, considerando a quantidade de alvos da magia e a quantidade de mana perdida. Após severos minutos gastos com a sessão de cura, o time de quatro pessoas (ou três pessoas e uma raposa, como preferir) se dirige ao campo de batalha. A elfa sacerdotisa retorna para seu templo, e reza por uma vitória sem maiores danos ao reino e seus habitantes. No caminho a raposa volta a se fundir com o aprendiz, e o time agora composto por uma raposa montada por duas mulheres estonteantes se põe novamente a caminho, planejando destruir os ameaçadores dragões.
– É, até que é confortável montar no aprendiz, não acha?
– Dessa vez eu concordo, tem algo de bom nele.
– Será que é confortável montar na forma original dele? – Pergunta Lilith com uma ligeira malícia em seu sorriso
– Não sei... Mas dá vontade de testar.
– Sei como é isso, também tenho.
– Parem de falar essas coisas pervertidas como se estivessem sozinhas! Diz o aprendiz interrompendo as duas.
– Mas estamos sozinhas, e montadas em uma raposa gigante.
– Dessa vez não temos culpa. Você quem foi ver o lado pervertido da situação, seu pervertido.
– Calem-se. – A raposa abaixa as orelhas e ganha velocidade rapidamente, Com o impulso Lilith Se desequilibra e abraça Hana para não cair.
– O que houve? Indaga Hana
– É que eu tive que me segurar para não cair.
– E foi segurar exatamente meus seios?
– Ah, foram as primeiras coisas que encontrei. Perdão.
– Você ainda está apalpando-os.
– São bem volumosos, assim como o aprendiz constatou. E macios. Bem macios.
– Pare com isso! Assim você vai acabar me deixando com vontade de... Pegar nos seus!
– Você quer coisa fofa?
– Posso mesmo? Diz Hana com os olhos cintilando
– Não, não pode! Grita o aprendiz interrompendo as duas – Parem com isso!
– Ora... Ataque de ciúmes. E olhe que nem começamos nada. – diz Lilith, na mais pura intenção de provocar o aprendiz. A raposa dessa vez foi mais esperta, e o foi suficiente para fugir da armadilha.
– Vulpes agilita! – Dizendo as palavras certas, a raposa se move para o destino como um raio de luz.
– “Parabéns... aprendeu a minha técnica. Aliás, fez algo mais: aprendeu o nome da técnica. Saiba que existe um abismo de diferença em saber ou não saber o nome.”
– “Deu para perceber pelas espadas. Elas eram apenas espadas até eu conseguir ouvir seus nomes.”
– Finalmente chegou, diz a voz de Lilith.
– Raposas são tão desligadas a ponto de chegarem atrasadas nas suas missões? –Indaga Hana
– “Não, já os aprendizes pervertidos cujo mestre raposa não tem controle da velocidade...”
– “Dane-se, raposa estúpida.”
– “Olhe para frente e responda, aprendiz idiota.”
– “Perdão pelo atraso”, responde o aprendiz. Só após isso nota que apesar do peso de suas costas se manterem igual, as duas mesmas mulheres sorriam à sua frente.
– Estranho... Algum tipo de ilusão?
– Não, tente novamente. – respondem as quatro juntas.
– Ahn... Aqui a matéria pode ocupar dois lugares simultaneamente?
– Não, aqui nós podemos fazer clones. – Dizem as originais, enquanto os clones se desfazem em fumaça.
– Explique-se.
– Treinamento. Você deveria estar atento, perceber que eram clones e se apressado. Fique sempre alerta Raitun, pessoas podem se transformar em algum aliado seu, mas se você estiver alerta pode detectar que é um impostor. – Explica Hana
– Há quanto tempo... Quem é você mesmo? – diz Lilith
– Esqueceu meu nome agora?
– Mentira! Era brincadeira, coisa fofa. Após uma pausa, ela continua: estive te esperando.
– Como assim?
– Há muito tempo... Estive te esperando.
– Do que você está falando?
– Te esperei muito... Muito, muito... Por muito tempo. – Lilith abraça o aprendiz, o mais forte que pode, mesmo que ele não esteja em forma humanóide. O aprendiz em sua forma de raposa, sendo esquentado pelo calor do corpo da sacerdotisa responde
– Não entendo... Mas sinto que são palavras tristes... Muito... Muito tristes. Farei o que puder para entender... Portanto, tente me ajudar com isso.
– Ajudarei no que for necessário, coisa fofa.
– O casal pode parar com o namoro e se concentrar?
– Não somos namorados! Dizem os dois ao mesmo tempo, em sincronia perfeita
– Ainda não... – Comenta Yumi.
– Abra a barreira, fala a raposa, e a Arquiduquesa atende prontamente o pedido. Assim recomeça o embate das bestas. Pyth contra a raposa, Hanna e Lilith contra Loth. Sem paciência, e talvez para contrariar a última batalha, o primeiro dragão é fácil e rapidamente vencido com uma mordida no pescoço. O grande problema agora era Loth.  O pai do dragão morto, que além de poderoso era arrogante, estava “apenas esmagando insetos”.
– As suas flechas são a única das nossas habilidades que causa algum dano nele.
– Mas não são poderosas o suficiente.
– E se elas fossem poderosas o suficiente?
– Como você pretende causar um dano tão maciço e derrubar um dragão com uma flecha?
– Usando meu mana além do seu, diz o garoto voltando à forma original. Vamos unir nossos poderes assim como fiz com a raposa.
– Não nos resta nada a não ser tentar. Kitsu, Hanna, criem uma abertura. Yumi, Mary, fiquem na cobertura, assim não se esforçarão tanto.
– Graciosa até nas mínimas ordens, comenta Raitun.
– Galante como sempre. – Responde a sacerdotisa, e após a situação acena para o aprendiz, este põe sua mão sobre o ombro dela e transfere um pouco do seu poder para ela, que lança os dois poderes no coração do dragão.
– Vocês (se referindo também a Kitsu que havia ajudado no último golpe) não precisavam ter dado tanto poder para minha flecha, o de um só é suficiente. Acho.
– O que importa é que ganhemos nossa aposta, ou talvez um pouco mais.

Capítulo 4 – Algo bom e Nada bom


– Nada bom. Algo mais poderoso está vindo, comenta Yumi com uma expressão preocupada.
– Mais poderoso quanto?
– Mais do que os outros dois juntos. Não entendo, a existência dele havia sido apagada há tanto tempo, não acredito que seja realmente ele.
– Quem é esse “ele”? Pergunta o garoto.
– Ayenth.
– Ayenth?! Indaga um coro incrédulo.
– Quem diabos é Ayenth?
– Temos tempo para isso? Pergunta a grande raposa. Após receber uma resposta positiva retoma as palavras. Preste atenção garoto, pois tenho uma história antiga e dominada por magias para lhe contar. Embebida em coisas épicas, excentricidades e valores. Um breve silêncio tomou conta do local naquele momento.
– Por que a hesitação Kitsu? Pergunta Raitun, afinal em vez de história escutou silêncio após aquelas palavras.
– Tempus levitatus... É o que ela responde.
– O tempo voa, em uma língua morta do seu mundo. Para os personagens de uma história tudo parece ter acontecido ontem, ou estar acontecendo, diz Lilith.
– Voltando os ponteiros, você vai descobrir muitas coisas ocultas. – Talvez a raposa tenha dito isso como forma de traduzir algo que Lilith resmungou de forma não compreensível. A sacerdotisa continua.
– Deixe isso comigo. Não é o momento certo de se ficar contando histórias épicas. Quando for faço bom uso do recurso.
– Concordo. E antes de tudo, é uma sugestão da grande Lilith, comenta Yumi. Hanna acena positivamente, mostrando concordar também.
– Já que todas as meninas concordaram, o seu desejo mútuo será uma ordem. Lembre-se de todos os detalhes se possível.
– Um detalhe muito importante é o local do seu túmulo: aqui.
– E você é...?! Pergunta Lilith, fitando o encapuzado que acabar de proferir e rase e aparecer em meio a eles. Em vez de responder verbalmente, este se transforma em um dragão. Um enorme dragão. Negro, maior que os outros dois e com uma aura terrível, realmente densa e assustadora para o aprendiz.
– Holy Arrow! São as primeiras palavras da batalha proferidas por Lilith, invocando uma flecha de luz sagrada. A flecha causa um dano considerável na asa do dragão, infelizmente ele também tem uma regeneração estupidamente rápida. O aprendiz puxa suas katanas e começa a tentar atacar o dragão. Apesar do empenho e da quantidade de golpes, os ataques físicos do aprendiz são inúteis em relação a regeneração quase instantânea. Os ataques com a música vindos da guitarra de Hanna também não surtem efeito. Canções de ninar não fazem demônios terem pesadelos, a melodia dos trovões não traz nenhum medo aos orgulhosos serem acostumados a rotineiramente aniquilar cavaleiros: Uma flecha sagrada abre mais um furo em sua asa, e é o que o grupo precisava para matar a charada do ponto fraco do inimigo.
– Use novamente seu poder! Grita Raitun. E dessa vez, mantenha o foco no coração!
– A marca inscrita nesse coração orgulhoso é muito grande para este simples inseto que vocês chamam de sacerdotisa arranhá-lo. Nossa escuridão é mais densa que a sua luz, e por isso este lugar seu túmulo.
– Como diria a Louise... No reino de Montris o inseto esmaga VOCÊ! Gritou o aprendiz e continuou a mensagem diretamente dirigida para a mente da sacerdotisa.
– “Por que ainda não atirou?”
– “Por que meu poder é suficiente. Você viu que não é, que a regeneração dele é muito alta. Se eu quisesse atirar duas flechas no meio tempo ele teria se regenerado.”
– “Eu já sei, e já disse para você usar o meu poder junto do seu se preciso. Confie em mim”
– Vamos?
– Vamos.

Projeto - Parte 2, Capítulo 2



Capítulo 2 – Um inseto entre bestas antigas


– O que veio fazer aqui humana? O que você é para querer entrar em nossa luta?
– Ah, apenas um inseto. Diria até que sou... Um grilo falante, quem sabe. Porém, como será que ficaria o orgulho de um dragão que foi vencido por um grilo falante?
– Uh, e o “poderoso grilo falante” pretende me esmagar?
– Ora, como diria uma sacerdotisa de nosso reino, No reino de Montris, o inseto pode esmagar VOCÊ!!!
– Você é a próxima da lista então – o dragão se vira para a raposa, juntando mana e os raios em volta das asas. Canaliza tudo em um único ataque em lança na raposa de três caudas. A “intrusa” aparece entre a raposa e o ataque, tocando uma música em um violino. Uma barreira mística se levanta à sua frente, e o ataque é parado com facilidade, sem surtir nenhum efeito.
– Defense sonata.
– Você usou uma música para criar uma barreira... É assim que pretende me esmagar? Vai invocar uma orquestra como seu exército?
– Requiem of Dreams. – A música tocada muda, e o dragão desaba. Dormindo em sono profundo. –Vocês dragões tem o ego muito grande. E a boca também.
– Quem é você, e como fez isso?
– Ah, então não é a Kitsu de verdade, por isso estava apanhando. Fiz isso exatamente do jeito dragão disse. Uma música. Se palavras têm poder, imagine quando inseridas em uma melodia? A música tem seu poder se tocada da maneira certa.
– Você pode me ensinar?
– Não, ainda não. Hora de acordar o dragão. Vá.
– Acordar aquele dragão que estava prestes a me matar a alguns instantes atrás?
– É exatamente aquele. Não tem outro aqui, tem? Não questione aprendiz, apenas faça o que estão lhe mandando. – diz Lilith, que acabara de recobrar os sentidos, com uma voz fraca. Com alguns ataques a raposa finalmente consegue acordar o dragão, mas pela reação deste, ele não estava tendo uma boa noite de sono com bons sonhos.
– Maldita sejais tu, pirralha anã! Serás reduzida a cinzas!
– Pirralha? Anã? – a garota com o violino começa a rir – me reduzir a cinzas... –o riso se torna uma gargalhada debochada, que para repentinamente. – Depois do sono de beleza, o choro e a piada. Está na hora de voltar para debaixo da asa de seu papai.
– Toque, pequena mestra. – diz o aprendiz raposa.
– Requiem of fear. Além da mudança de música, agora há um mudança de instrumento. O violino se transforma em uma guitarra roxa, e a música calma se transforma em uma música realmente assustadora, que parecia ter como acompanhamento as vozes dos que já se foram. A misteriosa pessoa encapuzada some junto com a chuva, deixando o céu nublado vigiar as duas bestes e as duas mulheres. O pavor da música toma conta do dragão, e este trata de fugir, como se fugisse do seu maior medo em sua essência.
– Primeiro um violino, e agora uma guitarra. E ainda por cima, só a guitarra. Mundo realmente estranho. Mas, por que você fez aquilo?– indaga o aprendiz
– Para que ele não lhe matasse. Você ainda é fraco. – O comentário atiçou o fogo da raposa novamente. Ao perceber que a quarta chama está quase acendendo, a garota puxa da manga uma flauta de bambu e troca novamente de melodia. As chamas começam a se apagar, e o nome da melodia se revela: Sealed flute. Kitsu volta ao mundo físico e o aprendiz, em sua forma original inicia mais um questionário.
– Habilidade interessante. Você consegue tocar algo que traga comida? Lutar me deixou faminto.
– Não, ainda não achei esta partitura.
– Qual o seu nome?
– Hana.
– Um nome do tamanho dela, não concorda? – comenta Kitsu.
– Vá se danar, raposa estúpida. – respondem os dois a Kitsu
– E você se fizer alguma piadinha está morto. – diz Hana, agora bem próxima a Raitun.
– Entendido. A senhorita se incomoda em tirar um pouco o capuz?
– Acho que me incomoda mais ser chamada desse jeito. –diz ela, tirando o capuz
– Hum... Aproximadamente um metro e meio, cabelos e olhos castanhos... Pele negra, ah, e seios volumosos... – diz ele, pensando alto enquanto escreve as coisas no seu caderno de anotações. Alto de mais. Alto o suficiente para ser interrompido por um murro da musicista, agora de costas para ele e recolocando o capuz.
– Mais uma palavra sobre eles e lhe garanto uma morte lenta e dolorosa, bem dolorosa.
– Tuntun, que tal então falar dos meus e ficar vivo? –Diz Lilith, enquanto o aprendiz escreve algo e tenta responder (Talvez tenha sido alguma reação a dois volumes que lhe pressionavam as costas).
– I-isso lá é coisa para uma sacerdotisa ficar dizendo? –grita o aprendiz, tentando se desvencilhar do abraço por trás dado por Lilith. –Ah, quanto à minha morte, seria uma honra morrer em suas mãos, porém sinto que não posso morrer ainda.
– “Como você se recuperou?”– pergunta mentalmente para Lilly
–“Tenho meus truques garoto.”
– Não pode morrer ainda, por...?– indaga Hana
– Por que preciso ganhar a aposta!
– Você é fraco.
– Então me ensine como colocar as músicas em minha lâmina! – “ou, algo do tipo” pensa ele.
– Como diria a Louise, No reino de Montris, a música aprende sobre VOCÊ!
– Pare de imitar a Louise, é muito repetitivo.
– Nessas horas me lembro da estranha sabedoria dela, apenas isso.
– Mas, e então...
– Então você deve aprender sozinho o que deve aprender sozinho.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Projeto - Parte 2, Capítulo 1



Parte 2


Capítulo 1 – Hora do over hit


– Vamos, pare de escrever, pirralho insolente. Eu tenho a sua libertação entre meus dentes e assim é que eu sou tratado?
– Como assim raposa? Qual a armação da vez?
– Chegou a hora de aplicarmos o over hit.
– Over hit? O que será que é um over hit?
– Será o golpe final que de bônus trará a vitória de nossa aposta. E como efeito adicional pode até arrancar a máscara daquela substituta.
– A Hatsumomo não é má, Kitsu, você está se enganando nisso.
– Sem tempo para discussões bobas e assuntos triviais. Lembra sobre aquela previsão de Alexis do dragão mais poderoso?
– Lembro, dizem que ela quase sempre acerta. Mas o que tem a previsão dela?
– Matando ele o over hit será efetuado com sucesso.
– Matar o dragão mais poderoso que já existiu?  Como vou matar o dragão mais poderoso, se no último precisei de sua ajuda, e você ainda disse que ele era um lixo?
– Agora além de se subestimar quer fazer o mesmo comigo? Suas habilidades guiadas pela minha inteligência serão suficientes.
– Sir Raitun, relatando problemas. – diz o aiodrome do aprendiz, interrompendo a conversa. – Um dragão muito poderoso invadiu o reino pelo sul. A sacerdotisa Lilith está em combate contra ele no momento.
– Pyth. Nada bom... Não achei que ele vinha tão cedo. Raitun, temos de executar o over hit agora. Lilith não tem poder suficiente para derrotar Pyth.
– Quem é Pyth?
– Pyth é um dragão de verdade, filho da primeira geração pura de dragões nascido há muitos anos. Um dragão vermelho de seis asas, filho de Loth. É um dos dragões mais poderosos, ao Lado de Loth e Ayenth, o primogênito. Dizem que domina mais do que fogo e que mora próximo ao submundo. É mais do que suficiente para ganhar um desejo, não acha?
– E como você sabe quem é ele? Como você sabe como ele é?
– Não temos tempo para isso, preciso liberar suas habilidades, precisamos dar assistência a Lilith.
– Até agora você não me explicou como vai “liberar minhas habilidades”. –
A raposa toma forma de um aiodrome, e entra no corpo da Raitun. Voltamos ao mundo espiritual do aprendiz.
– Ei, como você entrou aqui? Por que você está aqui?
– Liberando selo do modo Kyuubi. – O aprendiz não tempo de perguntar o significado da frase. A mana da raposa invade o local, e um símbolo estranho dentro de um círculo aparece no chão.
– Uma barreira mística circular.  – continua a raposa. – Sabia que ele tinha esse recurso no meio de suas habilidades e contratos. – O aprendiz continua a não entender, e se resume a observar. Havia nove figuras fora do círculo, que por acaso se move e deixa o aprendiz dentro dele. As novas figuras lembravam chamas, e um chama se acende em cima de uma figura. Ao passo que uma acende, uma cauda da raposa faz o mesmo. Um fio de mana atravessa a barreira e atinge o aprendiz dentro do círculo envolto pela barreira, formando uma espécie de ligação ente os dois.
– “Agora entendo” – pensa o aprendiz.
– “Então faça logo, antes que a Lilith morra.”
– “Liberando modo Kyuubi, primeira cauda.” – Agora o susto é dar gêmeas ao ver seu mestre se transformando. Agora havia duas raposas gigantes liberando um poder monstruoso enquanto estão ligados por um fio de mana.
– O que eles pretendem fazer afinal? Uma explosão gigantesca?
– Não, vão exterminar o dragão.
– E o que eles estão fazendo?
– Kitsu está funcionando como um selo para o poder de Raitun. Ele está suprimindo o poder dele, para que Raitun mantenha seu foco e não se descontrole. Ele não consegue controlar tanta mana ainda.
– Esses mestres estranhos que nós temos... – em meio à conversa das gêmeas, o corpo físico de Raitun toma a forma da raposa gigante e se dirige para o sul no intuito de ajudar a sacerdotisa. Esta, no decorrer da luta com o dragão percebe que suas flechas não causam muito dano ao dragão, pela rápida regeneração dele. Apreensiva com a demora da chegada de reforços, apenas se desvia dos golpes. Era o máximo que poderia fazer aproveitando-se de sua velocidade e agilidade. Sua expressão mostra apenas relativa calma e confiança quando sente a aura aliada nas suas costas: uma raposa gigante, quase do tamanho do dragão, patas e cauda em chamas, olhos amarelos fixos no inimigo.
– Onde está a sua pontualidade? – indaga Lilith
– Sincronizar e controlar isso não são tão coisas tão fáceis de fazer quanto parecem ser. – respondem em coro as vozes de Raitun e Kitsu.
– “Você não tinha mencionado que nossas vozes ficariam juntas. Agora ela sabe que estamos unidos.”
– “Aprendiz idiota. Ela sempre soube disso e do plano. Por que você acha que foi designado para fazer isso? Um problema desses é resolvido por alguém do nível de Lorde imperial!” – Porém o momento de diálogo é um descuido que acaba custando caro. O dragão finalmente consegue acertar a sacerdotisa, e esta é lançada para longe com a patada certeira. Depois de se certificar que realmente a sacerdotisa está agonizando, ele olha com desprezo a raposa que está se preparando para atacá-lo.
– Agora raposas querem se comparar aos dragões? Meu pai gostaria de perder tempo esmagando vermes insolentes como vocês.
– Quem sabe não sejamos superiores a dragões que falam de seu reflexo usando nomes alheios? Quanto a seu pai, uma pergunta: ele realmente se incomoda com nós, ou o filho do qual ele tanto se orgulha é fraco a ponto de precisar da ajuda do pai para esmagar uma “reles raposa”?
A arte das ilusões é praticada com maestria por raposas, e usar palavras para tal propósito não é algo fora de cogitação, afinal, palavras tem o poder, detêm a vida e o sentimento de quem as usa.
– Toda e qualquer existência desse reino será desintegrada graças à existência maldita, raposa! Aliás, por que não começamos com as penas da arqueira de curvas perigosas?
 A primeira baforada do dragão é direcionada para Lilith, porém a raposa se transporta para a frente da sacerdotisa a tempo de criar uma barreira de fogo como proteção. A ira do aprendiz começa a ser canalizada em poder, e mais uma chama se acende. Mais uma cauda aparece.
– Ora, então terei o “grande prazer” de esmagar a “lendária” Kyuubi?!
– Tocar no orgulho de uma raposa. Imperdoável. Kitsuhi!
O fogo gelado da raposa bate de frente com a baforada de fogo do dragão, e em disputa de fogo contra fogo, o dragão é forçado a se desviar antes de ser atingido. Esse movimento dá tempo suficiente para a raposa pular com garras e dentes em cima do dragão, e as duas criaturas começam um embate feroz e destruidor. Cada vez mais a ira do garoto aumenta, e ela se acumula em quantidade suficiente para libertar uma terceira cauda. A terceira cauda dá leve vantagem em poder de ataque para a raposa, o que não faz diferença, pois mesmo que as duas criaturas se dilacerem também se regeneram muito rápido. O céu começa a se fechar com nuvens negras, e o aprendiz nota que uma nova aura se aproxima. Seus olhos amarelos rapidamente varrem o local procurando o portador da aura, enquanto seu corpo reage e desvia por reflexo. Finalmente acha algo: alguém afastado do local da luta, alguém que usava um capuz e uma foice parecia manipular as nuvens. Porém não tem tempo para refletir sobre o portador da aura, está no meio de uma luta, e uma luta que pode mudar sua vida (afinal, “um desejo concedido” é algo bem poderoso, sendo utilizado da maneira correta). Lágrimas do céu caem sobre duas bestas em fúria, e logicamente, a água toda enfraqueceria teoricamente o fogo do dragão, principalmente. Infelizmente a aparente vantagem acaba se tornando um grande problema: com a mudança de cenário o dragão muda também seu elemento. Ser atingido por uma técnica de raio em meio a uma chuva torrencial, quando se está ensopado é uma péssima ideia, não importando o fato de você ser um garotinho ou uma raposa mística com um terço do seu poder liberado. As primeiras descargas liberadas pelo dragão são desviadas/defendidas com certa dificuldade. Depois veio uma rajada contínua de raios e mana, que acaba derrubando a raposa. Quando uma bola de neve começa a rolar, tende inevitavelmente a aumentar de tamanho.
– “Raposa, vamos liberar a próxima cauda.”
– “Não. Muito perigoso, se você perder o controle vai acabar ajudando ele a destruir o reino.”
– “Irei destruir o dragão! Não posso deixá-lo impune pelo que ele fez a Lilith, iremos reduzi-lo a pó!”
– “Isso tudo pela Lilith?!”
– “Cale-se, raposa maldita! Ajude-me de uma vez!”
– “Responda, pirralho estúpido!”– Enquanto a discussão e o caos acentuam a tempestade do mundo espiritual de Raitun, mais uma presença aparece quando o dragão preparava seu golpe de misericórdia.
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