Aprender a escrever...

Aprender a escrever só se faz escrevendo. E só aprendemos bem aquilo que para nós tenha poesia.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Projeto - Capítulo 28 ( Fim da parte 1)



Capítulo 28 – O caminho a seguir

        
– O caminho.
–Como assim?
– O caminho de um aprendiz. Hora de por suas habilidades em prática.
– Como farei isso?
– Você irá fazer trabalhos, missões para o reino, assistido por mim.
– Quando e onde começamos?
– Agora. Sua primeira missão é apanhar aquele gato preto à nossa frente. Ele definitivamente não é daqui. – O garoto ia perguntar algo, porém o medo dos olhos amarelos da raposa é maior e o impede. A única opção que lhe resta é tentar em vão pegar o tal gato. E falhar inúmeras vezes. Logicamente, o gato não era dos mais comuns. Saltava, mudava de direção no ar e por vezes até sorria debochadamente de orelha a orelha de Raitun, sumindo e virando fumaça quando Raitun tocava seu corpo. Finalmente a irritação supera a paciência e os olhos amarelos da raposa aprendiz fixam o alvo da missão.
– Gato idiota!– diz Raitun, enquanto as raposas invocadas por ele rapidamente (e finalmente) capturam o gato.
– Você entendeu o que disse sobre "usar suas habilidades" ou é o aprendiz mais idiota desse reino?
– Acho que apenas não me acostumei a ter "habilidades".
– Perder para um gato, lamentável.
–Ora, cale-se! Raposa maldita.
– Exijo respeito de fracos que perdem para gatos. Devem me chamar no mínimo de "Grande Raposa".
– Qual a próxima missão, ó grande e honorável raposa?
– Eu deveria condenar a virar escravo quem falha miseravelmente a honra das raposas perdendo assim para um gato. Lamento não poder fazer isso dessa vez. – Logicamente, tal frase levanta a questão "por que dessa vez não?”, mas perguntas desse tipo são sufocadas por qualquer coisa, a todo custo. Você também acaba de ter a impressão de que tais perguntas voltarão com o vento? Então estás realmente imerso em nossas memórias. O caminho do aprendiz acaba de começar, e seu tamanho é relativo, assim como tudo o é, não importando em qual mundo estamos. Não lembro onde ou quando, mas aprendi que esse conjunto de relações e coisas de certa forma garante nossa sobrevivência nossa alegria e nossa dor.  Basicamente o caminho do aprendiz seria absorver o máximo dessas relações, usando o aprendido para aprender. Aprender várias lições de vida, para ter recursos para sair de várias situações problemáticas, e ajudar outros com suas dúvidas. Resumidamente, funciona como mais um círculo vicioso como muitos outros existentes, e o complicado é explicar o que alimenta essas coisas estranhas que os humanos sentem. Alguns poderiam dizer que o motivo para trilhar este ou outro caminho é a vontade própria, o que neste caso podemos chamar de "sede de aprendizado". Não considero um motivo algo forte o suficiente para uma prática ou tradição ser mantida de forma eterna ou duradoura. As coisas mais importantes são feitas sem motivos específicos na maioria das vezes. Relacionamentos, laços, memórias e coisas duradouras de qualquer tipo são mantidas sem motivos nenhum, construídas sem motivo nenhum, e consideradas coisas extremamente importantes sem motivo nenhum em especial. É como dizer algo como "Vou fazer isso com todas as forças, juro pela minha alma!", é como dizer “Espero que eu guarde aquelas palavras, aquele sorriso, aquele gesto, aquele cheiro para sempre. Se isso não for possível, que eu o faça pelo maior tempo possível.”
– Chega de escrever por hoje, pirralho estúpido!
– Cale-se, raposa maldita!
 O caminho do aprendiz havia continuado. Algum tempo havia se passado, e agora Raitun ganha mais fama e suas habilidades chegam a ser superestimadas a ponto de Kitsu, seu tutor, fazer uma aposta com o próprio Imperador do reino, Crossmusse Del Alfarroz II em pessoa. E a aposta foi apoiada pelos Lordes Imperiais e sacerdotisas, todos do lado de Raitun. Isso ocorreu em uma ocasião onde Raitun foi chamado para entreter a corte (Herança gueixa. Interessante não é?). Em meio às conversas saiu um “Se ele não pagar suas dívidas com o reino nos próximos três meses seremos seus escravos, nos rebaixaremos a simples cães fiéis. Porém, caso ele consiga, eu tenho direito total sobre os ganhos futuros dele, vossa majestade devolve metade do que ele ganhou nos três meses a nós dois, e ele tem direito a um desejo, qualquer um.” Os ganhos citados são relacionados com as missões e caçadas. Grande parte ia para o reino, em forma de impostos e manutenção de estragos feitos em alguma luta. Como um aprendiz no começo da vida faz muitas coisas erradas antes de aprender, toma tempo, equipamentos e outras coisas ele forma uma dívida maior do que o que ele ganha nas missões. Uma oferta tentadora para o anão. Aprendizes ganham muito pouco, afinal, são fracos demais para fazer missões mais perigosas, só conseguem saldar suas dívidas após anos, caso tenham sucesso. E é quando deixam de ser aprendizes. Ninguém ficou mais feliz com isso do que Hatsumomo, cujo ódio pelo aprendiz crescia, rancor e escuridão engoliam tudo aos poucos. Muitos dizem que ódio e amor são muito próximos, mas isso é história para outro momento. A raposa tinha desde um início um plano arquitetado, afinal, raposas não entram em apostas sem ter certeza de que vão ganhar (ainda mais se falando em uma aposta que coloca seu orgulho e honra em jogo).

“Olá. Sim, sou eu de novo. Não, não importa quem eu sou, você que é importante aqui. Você e o Raitun. Espero que não tenham se espantado por ele ser careca. Dizem por aí que ele simplesmente não gosta muito do próprio cabelo, ou que ele é uma espécie de guerreiro-mago-monge, ou qualquer coisa do tipo. Eu não digo nada, apenas conto e pergunto: você gostou? Espero que sim, sabe... e... bem, apesar de ainda ter muita coisa pra contar, pelo menos você já sabe agora o que é um aiodrome e essas coisas do tipo. E quem é o Raitun. Bem, pelo menos agora vocês acham que sabem. Eu também acho que sei. Quem sabe um dia enquanto eu vou contando e vocês ouvindo não descobrimos a verdade sobre eles? Ah sim, o que eu sei até agora é: é verdade que ainda não aconteceram muitas guerras e batalhas tão épicas, mas elas estão mais perto do que longe. Caso você queira continuar a ouvir o que eu conto, vai dar de cara com elas daqui a pouco, assim como deu de cara com Montris. ‘Puf’!!!”

Ass: Aquilo que conta
P.S.: Espero que você continue, assim não vai ter sido em vão eu ter contado que aiodromes são mais interessantes do que se imagina. E um protagonista careca também!

domingo, 27 de abril de 2014

Projeto - Capítulo 27



Capítulo 27 – Coisas estranhas

                 
– Coisas estranhas, mundo estranho... E mulheres estranhas. Acho que essas águas termais não fazem tão bem para a pele quanto ela disse. – e mesmo com a conclusão formada, continua a relaxar, ou a tentar. Após um tempo, volta ao templo e é chamado pela sacerdotisa. Ajoelha-se em frente à porta, abre-a, entra, ajoelha-se novamente e a fecha.
– Aprendeu mesmo as coisas com a Sayumi. Mas, não lhe chamei pra treinar isso. Aconteceu algo estranho.
– Dependendo do ponto de vista, concordo plenamente. – diz Raitun fazendo uma mesura. Se aproxima e senta à mesa. Assim como no templo de Lilith, as mesas e tudo mais tinham estilo japonês. Isso às vezes o faz pensar o que é realmente aquele mundo, com tanta coisa “familiar” (e tanta coisa nada familiar, mas ainda assim familiar). Volta-se novamente à mesa, depois de um breve devaneio. As mesas japonesas são baixas, por que os japoneses sentam no chão ou ajoelham em uma posição chamada seiza para comer nelas ou tomar chá... Como a maioria das mulheres, Louise se ajoelhava, e Raitun, como a maioria dos homens, sentava com as pernas encolhidas. Espadas geralmente ficavam no colo ou ao lado do dono. Presume-se que outras armas tenham o mesmo tratamento, afinal as armas são parte do guerreiro nesse mundo.
– Me pergunto como você soube.
– Ah, agora entendi. Não estamos falando do mesmo assunto. – Constata a sacerdotisa, um pouco tarde talvez.
– E qual seria o seu? – indaga o aprendiz.
– Nosso aprendizado será interrompido prematuramente. Você deve ir ao próximo templo. – O aprendiz pensa em retrucar, mas lembra-se do respeito.
– Como desejar.
– Para o oeste jovem, para o oeste. E uma informação adicional importante: No reino de Montris, os caminhos vão por VOCÊ! – E a respeito do jovem foi uma mesura e a sua retirada do local, montado em Kitsu e rumo a oeste, como prometida.
– O que foi aquela última frase da sacerdotisa Louise?
– Informação confidencial – resmunga a raposa enquanto corre.
– Que irritante esse monte de informação confidencial! – após uma pausa, continua – Ei, o que acontece se eu descobrir alguma informação confidencial?
– Informação confidencial. Primeiro: fique forte. Depois, cresça e aprenda. Por último, fique realmente sábio e verdadeiramente forte. – O aprendiz por hora apenas se segura na raposa, mantendo os olhos fechados. De repente toma um susto, é arremessado contra uma árvore.
– Isso dói, raposa maldita! – Só então ele se dá conta do verdadeiro choque: estava em uma densa floresta negra, uma névoa embaçava tudo que se encontrava à sua volta e a “raposa maldita” não estava lá.  O desespero e o medo tomam conta do aprendiz, apesar de tudo ainda era um humano. Um humano perdido em lugar que não sabia onde ficava, onde era ou se existia. Tomado por desespero, em um lugar sombrio onde a esperança diminui, e os passos apertam. E após um tempo o aprendiz finca as katanas no chão, vencido pelo cansaço.
– As gêmeas me pareciam tão sábias e seguras. Ah, se as gêmeas estivessem aqui comigo nesse momento...
– Raitun...
– Ah, gêmeas...
– Raitun...
– Se vocês estivessem por aqui...
– Raitun!
– Gêmeas?! As gêmeas! Ei, onde vocês estão?
– Estamos dentro de você, seu estúpido. Somos uma existência só, lembra?
– Ah, verdade.
– Mestre idiota. Por que demônios o escolhemos mesmo? Temporada de caridade? – dizem as gêmeas katanas, enquanto suas lâminas brilham e elas se materializam. – Pronto, estamos aqui na sua frente.
– E onde seria “aqui” no momento?
– A floresta negra do oeste.
– E era até aqui que queriam que eu viesse?
– Um pouco mais além daqui.
– Por que vocês gostam de falar juntas?
– Apesar de sermos duas, formamos um conjunto perfeito funcionando como um só. Por isso falamos sempre juntas. Mestre idiota.
– Tá, tá... E como eu saio daqui?
– Mestre, palavras nunca são ditas em vão. Não em Montris, e provavelmente, no seu mundo também não.
– Como assim? – Antes da resposta ele faz um movimento pedindo para que elas não falem. Bem a tempo de escutar as vozes delas ecoando pela floresta: “em Montris”, e isso lembra a ele da frase estranha da sacerdotisa, que tinha algo parecido com esse fragmento.
– Ah, e por que vocês só apareceram agora?
– Não fomos requisitadas por nosso mestre antes.
– Já que não foram antes, que sejam agora. O que a sacerdotisa disse antes de sairmos?
– “No reino de Montris, os caminhos vão por você!” ou algo do tipo.
– E o que isso significa?
– Sabemos, e ao mesmo tempo não sabemos. Se as palavras foram ditas a você, você quem tem que encontrar a resposta.
– Vocês são parte de mim ou não? – O silêncio toma conta do lugar naquele momento, até que ele suspira e diz: – Que o caminho venha até mim...
– “Caso eu peça com a minha alma”?! É uma boa ideia.
– Que o caminho venha até mim, caso eu peça com a minha alma – diz ele, usando um pouco de mana. A aposta pareceu bem sucedida, algumas árvores se afastam, e mostram a ele um caminho em meio à floresta escura. A essa altura, as gêmeas já voltaram pras bainhas. Mesmo hesitante, resolve seguir seu caminho, até bater literalmente de cara em algo, que parecia bem real e sólido, porém invisível. Raitun usa seus olhos de raposa, e vê que na coisa invisível com a qual bateu circula uma imensa quantidade de mana, como uma parede.
– Uma barreira. Por que tem uma barreira no meio da floresta?
– Para afastar visitantes que não devem visitar este local, é claro.
– Quem é você?– Pergunta ele à voz feminina que veio de dentro da barreira
– Quem mais estaria em um templo protegido por uma barreira?
– Ah, então você deve ser a sacerdotisa Mary Anne.
– Correto. Atravesse a barreira para conversarmos melhor dentro do templo.
– A barreira não me deixa passar.
– Então morra aí fora, aprendiz incapaz. Não falo com quem não consegue atravessar essa barreira.
– Mas...! – o aprendiz suspira, resolve ponderar as palavras e se focar em atravessar a barreira. Após algumas tentativas falhas, ele tenta usar seus poderes para quebrar a barreira.
– Essa não é a maneira certa. – diz Kitsu de dentro da barreira.
– Raposa maldita! – o aprendiz avança tentando atingir a barreira, porém é cada vez mais rejeitado por ela, dessa vez é jogado para trás e bate em uma das árvores.
– Você é realmente idiota. Você quer atravessar uma barreira defensiva dela com esse nível de ataque? Dessa maneira?
– E que nível de ataque eu devo usar? O poder dos deuses?
– Use a sua mana para proteção, não para atacar. Idiota.
O aprendiz concentra mana em volta do corpo, como uma armadura, uma segunda pele. E finalmente, após algumas tentativas, consegue atravessar a barreira indo com as katanas de encontro à raposa. Porém não consegue acertá-la, apesar de tentar várias vezes. A sacerdotisa observa um pouco os dois.
– Você veio aqui pra brincar de pega-pega com a raposa?
– Me mandaram vir até aqui, porém eu não sei o porquê. Se puder me fazer o favor de explicar, eu agradeço. – comenta o aprendiz.
– “Não sei o porquê”, heim? – a sacerdotisa põe a mão na testa do aprendiz e fecha os olhos por instantes – Você está um pouco confuso. Aconselho-o a ir meditar um pouco ao lado do Nefirus. O clima parece obscuro, mas isso irá clarear relativamente as coisas dentro da sua mente. – O aprendiz responde com uma mesura, se dirigindo ao rio. Ao chegar, se senta na margem e fica observando as águas escuras passando. Suas lembranças vêm à tona. Lembranças do quando estava em seu mundo verdadeiro, e era um garoto fechado em seu quarto que aos poucos foi evoluindo, e aprendendo a viajar em suas ideias. Conseguiu algumas valiosas amigas e conselheiras, e aprimorou tanto essa habilidade que de alguma forma estava realmente em viagem dessa vez. As águas pareciam um espelho de sua alma, e elas começam a mostrar cenas, não do mundo original dele, e sim de quando ele chegou. Os pequenos aprendizados e lições. “Nunca desista, pelo menos não até conseguir o que quer”. “Conhecimento é poder”. “Fique sábio, assim você ficará realmente forte.”. “Mesmo que seu caminho seja solitário, se é o que você escolheu, siga-o até o fim, e supere todos os obstáculos que aparecerem.”. Vozes femininas lhe vêm aos ouvidos, vozes doces, conhecidas. Lilith e Hatsumomo eram quem falavam naquelas cenas.
– Confuso entre duas? Sobre o que elas querem? – Diz uma voz desconhecida.  O aprendiz se vira rapidamente e depara com um ser desconhecido. Logo que o viu veio a sua mente a descrição de um centauro: meio homem, meio cavalo. Porém ele não era meio homem. Parecia ser meio elfo noturno. Apesar de bem mais forte que os outros elfos que Raitun viu por Midgard, o ser era com certeza meio elfo.
– Quem é você?
– Você não me perguntou o que, e sim quem. Interessante, isso não é muito comum. Meu nome é Ácades, sou um celtamorfo, e a minha tarefa é lhe aconselhar.
– Ah, verdade. Disseram isso antes. E como você aconselha os que vêm até aqui?
– Não sei lhe dizer exatamente como faço, apenas faço. Existem coisas que não podem ser explicadas ou deixariam de sê-lo. Meus conselhos talvez sejam uma dessas coisas. Existe algo melhor que conselhos para abrir a mente e clarear as ideias?
– Se existe, não conheço. Que venham os conselhos...
– Cuidado com os reflexos de um espelho, muitas vezes eles distorcem a realidade. Não posso lhe dizer mais que isso.
– Agradeço assim mesmo. Sei que isso é algum tipo de enigma, porém tentarei decifrar. – Diz enquanto o estranho ser da floresta negra se afasta rapidamente. Raitun volta ao templo para tomar chá e conversar um pouco com a sacerdotisa. E novamente no caminho do mundo, o aprendiz indaga à sua montaria sagaz e falante: – Kitsu, qual a próxima parada?

sábado, 26 de abril de 2014

Projeto - Capítulo 26



Capítulo 26 – Frustração, Renovação e Frustração


– Destruí-lo vai ser mais problemático do que pensei. – diz Hatsumomo com sua foice no ombro e seu capuz sobre a cabeça, observando sua conselheira.
– A defesa dele é boa, não é? Ele tem belas espadas, é educado, bonito, alto e forte... Mas dane-se isso, esqueça ele e vamos beber! – diz a conselheira com um copo de alguma bebida em mãos.
– Eu por acaso pedi alguma droga de bebida? – e tenta bater na conselheira, porém essa desvia de uma forma estranha e impensável ao jogar o corpo para trás mantendo os pés no chão, e em velocidade espantosa aparece atrás da substituta segurando-a por trás. Sendo praticamente esmagada, Hatsumomo continua – Por isso sempre te odeio, por que você sempre bebe.
– Se a defesa dele é tão boa quanto você diz o melhor a fazer é se afastar desse forasteiro.
– Se quer me aconselhar por que não aconselha a como fazer em vez de aconselhar a não fazer?
– Por que de maneira nenhuma você deve fazê-lo.
– EU não, heim... Finalmente a grande bêbada Karen Li disse algo proveitoso!
– Nem sabia que por aqui existia alguém com um nome igual com o meu. Quando ela vier novamente chame ela para beber com a gente, tá?
– Idiota... Realmente odeio você bêbada, porém nada é mais odioso do que essa ventania da tempestade batendo de frente comigo, me afastando de meus objetivos. – nesse momento ela interrompe sua fala e uma névoa aparece em frente a ela, posteriormente tomando forma de um clone de Hatsumomo.
– Espero que eu o faça bem. Como combinamos?
– Sim. Vá. – o clone desaparece. Isso e outros fatos no reino levam o tempo necessário para Raitun aprender o suficiente, agora o garoto aprecia um revigorante banho nas fontes termais próximas ao templo. Pelo menos, até uma visita chegar.

– Olá, tempestade. – diz a mulher de capuz preto, deixando o capuz na beira da fonte e entrando no banho junto com ele.
– Não poderia apenas pedir para eu me retirar?
– Não faço ideia do por que de pedir isso. Quero ficar um pouco mais perto por sinal.
– Por quê?
– Ora, eu sou a chuva, você é a tempestade. Somos inseparáveis.
– Ahn...oi? A chuva me lembra alguém como você, mas não acho que seja exatamente você, porém não lembro exatamente quem é que me lembra e...bem, eu não quero você mais per-.
– Claro que sou a chuva, tempestade. E você não existe sem mim... – diz Hatsumomo, a mulher que deixou seu capuz no lado de fora das águas termais. E lentamente vai aproximando seu rosto ao de Raitun. Em vez de aparecer um cupido que selasse o beijo de um provável casal, outro tipo de arqueiro completamente diferente acerta o alvo. Com uma flecha na cabeça, duas no peito e mais uma próxima a Raitun, Lilith faz o clone de Hatsumomo se desfazer completamente, e alerta o aprendiz.
– Lilith, o que fazes tão longe de seu templo a esta hora?
– Digamos que eu li meu almanaque direito hoje. “No leste os cupidos precisam de um substituto”. Algo do tipo. Quando cheguei aqui, resolvi parar a desgraça antes que ela começasse.
– Como assim “parar a desgraça”?
– Já ouviu falar em “beijo da morte”? Não? É simples: ela iria lhe beijar e sugar sua mana até você morrer. Quer dizer, o clone dela.
– Aquilo era um clone?
– Sim, você não notou a diferença por que está usando esses olhos normais de humano. Os olhos dos elfos são os melhores para a função a eles atribuída.
– Não entendi muito bem, mas acho não posso ignorar suas superstições.
– Não deve. Posso entrar?
– Não, deve. – a sacerdotisa faz uma mesura e entra no banho.
– Ela não pediu permissão, não é?
– Não, e pelo jeito não deve! Às vezes as pessoas esquecem os bons modos. E o que a sacerdotisa da terra gelada faz em um banho quente? – diz em tom irônico
– Dizem por aí que faz bem para a pele. De quebra, eu lhe privo de más companhias que entrarem sem pedir permissão.
–Agradeço a dupla preocupação. A Sacerdotisa-san deve realmente cuidar da sua incomum beleza.
– Por você está agradecendo em relação a isso?
– Por ter o prazer de rever sua beleza.
– Ora, além de querer me deixar sem palavras ainda continua com isso? Quer ficar aqui sozinho novamente?
– Não faço ideia, devido à situação e ao cenário, meu pobre vocabulário não me permite responder a essa pergunta.
– Uh... Acho que é por isso que eu amo e odeio as raposas.
– A neve irá se derreter por um mero aprendiz ou pelo calor das águas termais?
– Quem sabe? – diz ela, beijando a bochecha do aprendiz e sumindo, misturando se com o vapor. Ainda no meio tempo o tempo de dizer “até sempre, raposa”.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Capítulos 24/25



Capítulo 24 – Lição pós contrato


– E você, já está pronto para a próxima, garoto? – indaga Alexis.
– Espero que sim.
– Senhoritas, este é Omni Raitun. – diz Yumi, e continua – Raitun, estas são Alexis, Mary Anne e Louise.
– A aura de vocês lembra um pouco a da Lilith. Vocês são sacerdotisas?
– Sim, apesar do nível dela ser superior, somos todas sacerdotisas. – diz Louise.
– Hora da próxima lição. – diz Alexis, já tendo regenerado a Willow a essa altura. – Despertar seus poderes de regeneração.
– E como fazemos isso?
– Concentrando seu poder no local a ser regenerado. Dependendo da gravidade do ferimento, isso pode gastar muito tempo e energia. Espero que você os tenha, e que sua habilidade seja tão boa quanto às das Kyuubi. Você sabe o que é uma Kyuubi?
– Bem, em meu mundo, é uma espécie de entidade espiritual de um país... Um...reino, chamado Japão. Lá as Kyuubi são tratadas como uma espécie de lenda, mito. “Kyuubi no Kitsune: Raposa de nove caudas. As raposas são entidades espirituais poderosas, com poderes de criar ilusões e se transformar-se em humanos, geralmente mulheres e velhas. Existem raposas boas e más. Dizem que elas têm de uma a nove caudas, e que demora 100 anos para uma cauda se desenvolver por completo. Dizem também que quando a raposa tem as nove caudas sua pelagem fica prateada ou dourada e ela ganha a sabedoria infinita, e o poder de ver e ouvir qualquer coisa em qualquer lugar do mundo.” Ou seja, para eles, quanto mais caudas, mais poder elas tem. No caso, seria a raposa mais sábia e poderosa. Aqui as regras também se aplicam?
– Sim, é algo desse tipo por aqui também. Claro que existem algumas poucas diferenças, que não influenciarão tanto. Você realmente sabe muito sobre raposas.
– Agradeço. Aqui as Kyuubi existem?
– Ora, em um mundo onde árvores dão conselhos você acha que não existiriam raposas oniscientes de nove caudas?
– Reino realmente estranho. Havia me esquecido por um momento. O que devo fazer afinal?
– Um corte, antes de tudo. Em si mesmo, claro. Ou prefere que uma de nós o faça?
– Quê? – Após relutar um pouco, ele acaba fazendo o corte. No final das contas, essa é a vida de um aprendiz. Se seu mestre disser “siga-me”, você o segue. Se ele diz “faça um corte”, você faz, pois seu mestre sabe o que faz, e ensina que a disciplina é um atalho para o conhecimento. “Conhecimento é poder”.
– Com a outra mão você concentra mana em cima do corte. Quando se tem a técnica dominada, isso não é necessário.
– Entendido. – O aprendiz começa a praticar, e após algum tempo e sangue derramado ele finalmente consegue fechar o corte. Alexis faz um sinal de aprovação, e todos menos eles dois somem do local.

Capítulo 25- Enigma pós lição


– Parabéns Raitun. Continue levando seus ensinamentos em frente, você tem um futuro promissor à frente. Lutas, amores, infelizmente, fatos tristes. Lembre-se de cada frase bonita que lhe disserem, talvez elas ajudem bastante em seu aprendizado. Lembre-se dessa junto com as outras: “Sempre existe alguém que tentará e às vezes conseguirá lhe ferir. Quase sempre haverá alguém para curar suas feridas, porém só você conseguirá ter a real noção de quão profundas são as suas cicatrizes”. Infelizmente, não temos mais tempo. Poderíamos confraternizar pelo seu aprendizado, conversar. Continue praticando tudo, Raitun, e dirija-se ao nascer do sol, pois lá renasce a esperança e a vida. – depois do breve discurso a elfa também some aos olhos do aprendiz.
– Acho que isso era algum tipo de enigma...
– Primeira dedução correta. Próxima? – Diz Kitsu, reaparecendo.
– Maldita mania de vocês, heim... Passam a vida sumindo, aparecendo, sumindo, aparecendo...
– Sem choro, continue.
– Ela falou algo sobre o nascer do sol, então suspeito que é algo que vou ver no leste. O que há no leste?
– O templo do rio Katonirus
– Que venha o templo então. – diz o aprendiz, e dispara como uma técnica que lembra a da raposa maior. Esta logicamente não fica atrás, e diz “Você é quase tão rápido quanto eu. Quase!” ao passar direto por ele.
– Olá Louise. Há quanto tempo– Diz Kitsu, em meio a uma reverência.
– Olá. Deixou o pobre aprendiz para trás?
– Na verdade, ele apenas me mostrou que sou quase tão rápido quanto ele – diz o aprendiz, tendo acabo de chegar.
– Ora, e agora são esses os modos de um aprendiz? Curve-se aprendiz de raposa, siga o exemplo de seu tutor, aprenda a demonstrar o devido respeito.
– Perdoe-me por tal insolência, sacerdotisa Louise. –diz Raitun em meio a uma funda mesura que se mantém até que o seu tutor interceda por ele.
– Ele não chegou aqui há muito tempo. Então, quem seria melhor para ensinar-lhe modos do que um antigo dragão do leste?
– Então as raposas ainda mantêm o respeito pelos dragões. Continuam sagazes e astutas de mais, sempre conseguindo uma maneira de se sair bem de situações problemáticas.
– Logicamente mantemos também nosso respeito, graciosidade, orgulho e ironia, ó reles exemplar orgulhoso de dragão.
– Assim como nossas amigas em comum. Elas serão de grande ajuda.
– Temos gueixas de passagem por aqui? Em um momento oportuno como esses? Os deuses estão mexendo em algo lá em cima.
– Temos, temos. – e uma exuberante gueixa sai do interior do templo, observando o aprendiz em profundo silêncio na sua respeitosa reverência. – bela mesura, para um cavalo, ou um sapo... Você é mesmo uma raposa?
– Sim, srta. Gueixa, e se não sou bom o suficiente, então rogo que me ensine como devo fazer. – diz ele, ainda imóvel. Ela se aproxima do aprendiz, e começa a dar suas dicas
– Ao menos sabe pedir... Não encoste a cabeça no chão, e junte as pontas dos dedos. Coloque os cotovelos para dentro, e não ponha seu peso nas mãos... Isso! Agora é uma mesura perfeita para uma raposa aprendiz!
– Fico profundamente grato. – diz Raitun, repetindo a mesura aprendida.
– Ora, que graciosa mesura! Eu lhe adotaria como irmãozinho mais novo, mas parece que você já tem família.
– Infelizmente, você perdeu esse pupilo há uns dois mil anos, ou mais. – diz Louise rindo
– Me disseram “temos gueixas de passagem”. Não temos gueixas, e sim a grande Sayumi. Muito melhor do que eu esperava. Será uma honra para meu pupilo aprender modos com a grande Sayumi, e espero que ele se comporte.
– Não me deve tantas honras, deve? Eu que devo muito à grande Kitsu. – E a Srta. que acabara de aparecer de forma graciosa, mais graciosamente faz uma profunda mesura como a do aprendiz. Em outro nível de graciosidade, pois apesar de ser uma jovem, era experiente em seu trabalho e a melhor no que fazia. O quimono que tinha detalhes de galhos em meio à seda preta complementava a beleza da gueixa (mais parecida com algum quadro disposta em uma mesura como aquela). Mas ao se levantarem a atenção do aprendiz logo se voltou aos olhos da mulher. Eram de uma cor praticamente impossível de se descrever. Seriam cinza-azulados? O aprendiz só consegue dizer: – Que olhos exóticos...
– Obrigado. Soube que você também tem olhos interessantes.
– Devem ter falado sobre isso então. – o aprendiz lhe mostra seus olhos de raposa por alguns instantes, e depois os faz voltar a serem apenas olhos quase pretos e comuns.
– Olhos da noite preenchidos de luz e raios em uma face, olhos comuns do dia com muita madeira em outra face. Isso é uma combinação explosiva, pode causar devastações se misturado na medida certa.
– Você tem água o suficiente para controlar isso, não tem Sayumi? – Diz Kitsu
– A água irá conduzir os raios até o chão e regar as terras onde as raízes poderão se fixar. – complementa Louise.
– Irei lhe contar uma história que não deve ser repassada sem minha permissão. Você parece ser de confiança, e se eles confiam em você, eu também o farei. – e a grande Sayumi começa a contar a história de sua vida. Após tudo, o aprendiz recapitula para não esquecer-se de nenhum detalhe importante.
– Então, em resumo você não tinha esse nome, e ele lhe foi dado após virar uma gueixa. E para virar uma gueixa, a Sayumi-san foi retirada de seu lar forçadamente, sofreu trabalhando em uma casa onde gueixas moram. Após sofrer muito conseguiu entrar em uma escola onde elas aprendem as coisas e ser adotada por uma irmã mais velha, que protegeu e ajudou você a ser uma gueixa prodigiosa.
– Tirando os enormes detalhes, restará mais ou menos isso. Lembre-se: vendemos a nossa arte, e não o nosso corpo, e a nossa arte é entreter o cliente. Servir bebida, dançar, recitar poemas. Dar alegria, talvez até flertar graciosamente seja trabalho de uma gueixa. Ganhar dinheiro apenas com sexo é trabalho de uma prostituta. Não vendemos sexo, algumas têm algo com algum cliente e o praticam, e isso não significa que todas façam isso. Estamos aqui para ciceronear nossos convidados. Suavemente, aos sussurros. Sempre. E como raposas, somos sempre leves e graciosas. Infelizmente, raposas e gueixas têm caminhos tristes. Leves, graciosas, porém solitárias. Lembre-se, você que escolhe qual caminho quer seguir, você então quem deve aguentar todas as consequências disso. Em um caminho solitário muitas vezes não terá quem te apoie quando você cair. Mas se você quer realmente seguir algo, deve se levantar e continuar caminhando, sem desistir de ir até o fim.
– Posso continuar treinando, irmã? – Com esse pedido começa o desenrolar dos treinos de modos do aprendiz, enquanto voltamos às memórias para outra que possui a ambiguidade incrustada em sua testa.
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