Aprender a escrever...

Aprender a escrever só se faz escrevendo. E só aprendemos bem aquilo que para nós tenha poesia.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Projeto - Parte 2, Capítulo 11

Capítulo 11 – Brincadeiras


No outro dia, após o desjejum o garoto se dirige ao templo de Louise. Os dois se focam no festival, sem uma palavra sobre Lilith. Aliás, com poucas palavras.
– Você é realmente um dragão transformado em mulher ou uma mulher que se transforma em dragão?
– Sou o contrário de você. Um dragão que se transforma em humano. Dragões de alto nível conseguem manter essa forma por um bom tempo.
– Então por que precisa da minha ajuda?
– Sou uma mera sacerdotisa agora. Se eu usar minha forma de dragão e entrar pela porta da frente de Midgard, vou acabar assustando alguém. Se eu entrar como uma sacerdotisa que é forte como um dragão, assustarei alguém. É aí que você entra.
– Uma raposa gigante é algo gracioso e de menos impacto. Entendo. Então eu vim só pra carregar isso tudo? Diz apontando para as coisas que juntaram.
– Preciso mesmo responder? O aprendiz se transforma em raposa e a sacerdotisa começa a empilhar e arrumar pacotes em suas costas. Sai andando na frente, seguido pela raposa, e algum tempo depois chegam à cidade. Após ter o peso retirado de suas costas o aprendiz volta ao normal. Assim o aprendiz, a sacerdotisa e as raposas começam a decoração de Midgard, sendo ajudados por moradores e aiodromes. A arquiduquesa aparece pouco tempo depois, ajuda em algumas coisas mais leves. Os seres do reino adornam toda a cidade com balões japoneses, fitas, barracas de brincadeiras e guloseimas, placas. Louise pede uma pausa para consultar seu almanaque, que seguia tão a risca quanto um islâmico a um alcorão.
– Atenção nas luzes, e cuidado com as máscaras, disse Louise.
– Tá... Como assim Louise?
– Não sei, assim que interpretamos o almanaque. Ele sempre lhe dá uma “charada” para o dia, respondeu Yumi.
– Revisem os equipamentos! Grita Raitun. Todos começam a acatar a ordem o mais rápido que podem. Tempos depois acabam dando-se conta da falta dos fogos de artifícios e dos cata-ventos. E logo começa um tumulto, pois se duas coisas são de valor em um festival são fogos de artifício e cata-ventos. O alvoroço de todos é intenso, comentários, lamentos, frases de seres estupefatos. O garoto indaga: Alguma ideia? Antes da resposta ele continua sua linha de pensamento, se ajoelhando. – Atenderei como for possível à sua decisão e necessidades. Como iremos proceder?
– Silêncio! Não consigo pensar com esse alvoroço que vocês fazem...  Resmunga Yumi, referindo-se aos seus aiodromes e aos outros seres.  O aiodrome pessoal dela toma a palavra, com algo útil como sempre.
–Mestra, temos evidência claras de que os Volladnes são os culpados.
– Mas será possível?! Em nosso evento mais importante os idiotas vêm me aprontar a velha brincadeira de esconder coisas.
–Estamos procurando o paradeiro dos artefatos, porém até agora não encontramos nada.
– Volladnes... Aquelas criaturas invisíveis que tem mania de fazer brincadeiras? Bem, vou ajudar, diz Raitun
– Sozinho?
– Ora minha cara... – e ao dizer aquilo o aprendiz chama raposas de volta, e invoca outras e outras mais. – Suficiente?
– Aceitável.
– É relativamente razoável, diz Louise. O aprendiz se junta ao bando de raposas como uma delas e todos começam a procurar junto de aiodromes pelos objetos desaparecidos. Acreditavam que os aiodromes poderiam perceber/ver os seres invisíveis e ajudar a colocá-los nos eixos. Após certo tempo de varredura Raitun reaparece na praça central de Midgard, em frente à Louise. Em seguida aparecem suas raposas com os objetos roubados.
– Até que raposas são eficientes... Não é Louise? Diz Yumi
–Tenho que concordar. Que tal continuarmos? Diz Louise. Raitun concorda com a cabeça e eles retomam os preparativos. Após tudo estar terminado Louise e as outras duas sacerdotisas (Alexis e Mary) junto de Yumi se posicionam nas entradas da cidade, juntas de algumas elfas, para fazer a recepção adequada dos visitantes. Após entrar e serem recebidos por elas, os recém chegados passavam por um corredor de cata ventos que dava acesso ao meio da cidade, onde a festa fervia. Enquanto caía a noite e Midgard começava a lotar, o aprendiz se dirige ao tempo para de Lilith. E se depara com esta mesma sacerdotisa, usando um modelo de vestido parecido com o que usa sempre. A diferença principal eram os detalhes negros e um enorme dragão bordado.
–... ... O que houve? Por que me olhas desse jeito?
– Não sei...
– Então já que não sabe, melhor ir se trocar também. E ela aponta um aposento. Entrando no lugar o aprendiz encontra roupas semelhantes às suas, porém negras e com detalhes dourados. E um dragão em uma das mangas. Saindo dos aposentos, ele pergunta:
– como estou?
– Extraordinariamente comum... Para um acompanhante.
– Pareço um acompanhante?
– Parece uma gueixa.
– Ou algo do tipo... Após uma reverência à Lilith, Raitun invoca uma raposa do tamanho de Kitsu. Só o fato interessante é que esta usava uma armadura. Era uma armadura negra que cobria a cabeça e as costas, como uma sela para duas pessoas. E na armadura havia suportes para as armas. Espadas à esquerda, o arco à direita, e vem após os preparativos uma pergunta.
– Vamos? A sacerdotisa responde sentando na raposa, na parte de trás e de lado. Como uma dama de vestido senta em um cavalo sendo levada por um cavaleiro. Após uma cruzada de pernas e um aceno para o aprendiz, este também sobe na raposa. Agora eles caminham enquanto começam o que podemos realmente chamar de uma longa e boa conversa... Informações confidenciais, sorrisos confidentes.
– Estamos chegando... Não vá me decepcionar heim, acompanhante ou algo do tipo de uma gueixa.

–Como desejar, minha Lady. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Projeto - Parte 2, Capítulos 9 e 10

Capítulo 9 – A marca da foice


– Cumulus Nimbus... Tenko Kitsune-bi...
– Finalmente acordou, comenta Mary Anne acolhendo a raposa no colo.
– Entrei em seus domínios?
– Está dentro do templo. Não poderia lhe deixar jogado na floresta debaixo daquela chuva. Lilith me mataria quando soubesse. “E ela não está em condições de ficar se estressando com isso” Pensou ainda.
– Detalhes.
– Ainda não posso... Aliás, você também não pode. Não pode desistir de seu caminho agora.
– Quando a presença de Hatsumomo se foi senti a presença de alguém importante tomando o mesmo rumo. Preciso voltar verificar, ajudar aquela pessoa.
– Alguém está precisando muito da sua ajuda, e está bem a sua frente.
– Quem seria?
– Lilith.
– Detalhes. O garoto toma a forma de garoto e se senta, ainda mantendo as orelhas de raposa.
– Em alguma das lutas com Hatsumomo Lilith foi ferida por aquela foice. Não foi uma ferida comum, aquela foice não era comum, e estava pior do que já era antes. Do ferimento brotou um mal antigo, uma magia negra chamada shi no shirushi.
– Shi no shirushi?
– Sim. “Marca da morte”. Essa marca é como uma doença, se ela crescer e se completar, Lilith morrerá. O que precisamos, o que você precisa é descobrir junto com Alexis a cura ou o contra feitiço, ou algo que a salve. Você parte amanhã ao nascer do sol. É perigoso à noite com os Luminus se infiltrando no reino.
– Vou agora. Raposas têm boa visão.
– Tome cuidado. Cautela, porém urgência. Como você sabe, o rio em meus domínios é o lugar onde se lamenta pelos mortos. Se não houver acordo com a morte, acabaremos tendo mais alguém por quem lamentar... Meus domínios não são regidos pela alegria, por isso você quem precisa fazer isso por ela.
– Explique-se.
–Vá.
–“Lamentar os mortos”... – O aprendiz faz um gesto com a mão, invocando Kitsu.
– Ora, você não era uma raposa independente? Diz a raposa ao aparecer
– Se você já está ciente dos fatos, e sei que está, sabe que não deveria estar arrumando pretexto pra discutir.
O aprendiz se dirige ao Nefirus, onde para, se ajoelha e lamenta por alguns momentos a morte de Hatsumomo. Pede que Lilith não tenha o mesmo destino. Não agora. Acaba até ganhando certa atenção dos celtamorfos com a oração fervorosa. Além disso, consegue uma breve conversa com Ácades, o celtamorfo que lhe aconselhara outrora em sua primeira visita ao local. O conselho dado dessa vez foi “Mantenha seu caminho sem se importar com nada, mantenha sua escolha sem se importar qual é.”. Depois da parada no rio os dois partem em direção ao templo do norte. Lá as respostas das perguntas não são tão animadoras quanto ele esperava.

Capitulo 10 – Conselhos da Matriarca


– A única coisa que purificaria algo poderoso como aquilo seria uma pena da cauda de uma fênix. E há muito, muito tempo elas sumiram. Além de que demora muito tempo para preparar uma pena de fênix adequadamente. Infelizmente, minhas mãos estão atadas. Mas não as suas: tenho uma missão especial para te dar. Amanhã, mais ou menos a essa hora estaremos em um grande festival que acontece em Midgard. Quando estivermos lá você irá entretê-la como se o imperador fosse seu vassalo. Sua sacerdotisa está com a morte marcada, mas você dará a ela uma morte digna e feliz. Por agora, descanse aqui. Amanhã você irá ajudar a Louise com os preparativos do festival.
Ouviu as ordens da elfa, depois resolveu sair do templo e dirigir-se para a floresta. A floresta das Willow. Anda um pouco por ali, e acaba se deparando com a majestosa e enorme Yggdrasil. Após uma breve prece ele continua andando por entre as árvores, e em frente à maior delas faz uma nova parada ao escutar uma voz densa que ecoa por ali. Vinha da maior Willow da floresta, a que estava diante de seus olhos. Seria uma árvore comum, se não fosse pelo porte e por vários galhos que se mexiam como se tivessem vida e mobilidade de dedos. E por certa parte do tronco lembrar um rosto. Novamente o som da gigantesca árvore ecoa quebrando a contemplação do garoto.
– Olá filhote. O que você veio procurar por aqui?
– Paz... Conselho... Algo. Não sei. Perdão por estar andando por aqui repentinamente e não ter me apresentado, e peço perdão novamente por não saber quem é você.
– Me chame de Tatsuy. Sou a mais antiga das Willow.
–Então você seria algo como uma “vovó Willow?”
– Não me chame assim... Pareço uma velha desse jeito. Que tal um meio termo. Chame-me de Matriarca ou Tatsuy.
– São nomes interessantes. O primeiro é poderoso, o segundo é... Exótico.
– Como se você pudesse falar de nomes exóticos, tuntun. Então filhote, o que você realmente veio fazer diante de mim? Mergulhado em dúvidas?
– Não acho que seja exatamente isso Tatsuy.
– Que intimidade... Então, você veio me dizer que já decidiu o que vai fazer?
– Algo do tipo. Mais precisamente, vim lhe dizer o que eu decidi. Acho que acabei demorando mais que o devido pra me decidir. E que tudo acabou influindo nisso. Seria problemático escolher apenas uma. Pensei em retornar ao frio e á solidão. Continuei pensando, e me decidi. Não queria que alguém pensasse que era a “alternativa”. Acho que aos escolher, percebi que mesmo diante de milhares de alternativas, se a sua alma, sua personalidade e seu desejo não mudar, a escolha não irá mudar. Não quero mudar a mim mesmo, nem o que escolhi. Ela foi quem eu escolhi.
– Então seria por que “a tempestade faz um enorme estrado, uma tempestade com uma nevasca faz um estrago infinitamente maior”?
– Diria que é algo do tipo. É ótimo fazer grandes estragos.
– É verdade. A tempestade não depende da chuva para ser tempestade. Ela provoca a chuva. Vire uma nevasca, não vá contra a natureza dizer que depende da chuva.
– Agradeço pelos conselhos Matriarca Tatsuy. Algo a mais pra me dizer?
– Ah, sim! Você vai entretê-la, não é? A sacerdotisa da neve?
– Correto. Alguma recomendação em relação a isso?
– Atenção total a ela. E cuidado redobrado. Sinto que a calmaria está para acabar. Se estiver certo de sua escolha, conte a ela.
– Pensarei nisso com cuidado...
– Descanse agora filhote. Amanhã grandes coisas vão acontecer. O vento está me contando.
– Agradeço novamente, grande matriarca. Agora vou olhar o teto, espelho que reflete meus devaneios, até o que o sono tome conta de meu ser.

– Vá em paz, com a benção de Lilith, diz a grande Willow ao aprendiz. Este se retira da presença da matriarca e vai se deitar no chão do templo. Acha algo como um colchonete ao lado, chamado no Japão de futon. Era de se esperar, considerando toda a fachada do lugar. Talvez seja apenas um colchonete devido às religiões de lá pregarem certo apego ao materialismo. O garoto pensou nessa questão, e em muitas outras. Acabou pensando que ainda estava acordado, mas já estava dormindo.  Estava há momentos atrás olhando o teto, que de certa forma sempre lhe parece um espelho, sempre mostra um resumo do que aconteceu. As visões da sacerdotisa se mostravam mais nítidas. Porém agora ele finalmente dormiu. Do nada, assim como qualquer um.

domingo, 4 de maio de 2014

Às vezes eu releio umas reflexões que escrevi no meio do livro e simplesmente me pego pensando. "Como eu escrevi tudo isso há 3, 4 anos atrás e agora vivo empacado?". Acho que eu preciso voltar a acreditar nas minhas raposas. As memórias de um aprendiz sempre podem ser revividas graças à cada um que as lê. Fico feliz que seja você quem as reviva nesse momento. Não é que elas se tornem reais. Elas sempre foram, mas você as faz se relembrarem disso. Até o próximo capítulo!

Projeto - Parte 2, Capítulos 7 e 8



Capítulo 7 – Punição dupla


O aprendiz paralisa diante das palavras da sacerdotisa, e Hitch toma a palavra.
– Ela estava premeditando isso há muito tempo, e você sabe. Só não sabíamos que alguém de seu nível seria pega tão rapidamente por uma armadilha óbvia como essa.
– Dane-se, sua meretriz. Ceifarei suas almas, e a liberdade virá.
– Infelizmente, o quadro ainda é pior, diz Yumi aparecendo em frente ao quarteto (as gêmeas sumiram quando atingidas pela magia)
– Se não tens algo mais belo que o silencio a dizer, cale-se, retruca Raitun.
– Não é belo o que tenho a dizer. Além de tentar lhe matar várias vezes, e tentar fazer o mesmo com pessoas do reino, ela traiu o nosso reino servindo de espiã para os Luminus. Levava informações de nossas tropas e afins.
– E a punição para seus crimes...
– É a morte.
O aprendiz se dirige á porta, em forma de raposa.
–Não concordo com a morte dela, ou com mortes de pessoas próximas, aliadas ou outra qualquer. Algumas delas acontecem, outras são “necessárias”... Não concordo, porém um mero aprendiz não pode fazer nada contra as leis de seu reino. Muito menos contra as de um reino do qual não é filho. Que seja feita a sua lei. Não posso me meter nisso... Não me cabe o direito... Ainda não. Após essas palavras ele sai correndo em forma de raposa.
– Maldita sejais tu, substituta, por profanar locais sagrados e trair nosso reino de tal forma. De si, que os deuses tenham misericórdia. Que a luz a acompanhe até a morada de seus ancestrais nessa despedida, é o que Lilith diz.
– Infelizmente o arrependimento virá Lilith, e a marca feita em ti te levará junto comigo.
– Belas palavras, belas e equivocadas. Estas aqui serão as últimas. –ela aponta a Kaleido para o rosto de Hatsumomo – Dai Bakuhatsu.
A maga desintegra o corpo da substituta com essas palavras. Substituta que seria agora conhecida como traidora caso essa informação vazasse. A essa altura o aprendiz estava longe, decerto pensando no ocorrido. Paralisa novamente. Sente que uma aura está se esvaindo diante de seus sentidos, como se alguém importante que estivesse lhe tocando estivesse se afastando e se desfazendo, se despedindo naquele exato momento, lento e duradouro, que se estende até a eternidade. Tudo aquilo e a corrente de pensamentos que toma conta de seu ser começa a escorrer sobre ele como as gotas da chuva que começa a cair. Lentamente, lentamente, mais fortes, mais rapidamente, agora várias e várias. Uma chuva torrencial. São gotas profundas, penetram nas mais profundas profundezas da terra, e mais profunda parece ser a dor da raposa, e ainda mais profunda parece estar a localização da alma da Hatsumomo. O tempo passa, sabe-se lá quanto. Ora, pra que noção de tempo? Aos poucos começa a se mover, lenta e cabisbaixa raposa. O que se passa em sua sábia cabeça, só ela poderia nos dizer. Ou melhor, só ela que não pode nos dizer. Não agora, não daqui a dois dias. Não até que apagasse de dor e cansaço mental, físico, metafísico, espiritual. A raposa em sua aura de melancolia adentra na floresta negra, envolta em flashbacks e instantes de relembrar momentos. Alguns deles ocorridos ali mesmo. Outros em sua terra natal. Todos essencialmente importantes para tê-lo feito chegar ao seu atual estágio de angústia. Todos sem importância nenhuma diante daquilo que tomou conta de seu coração. O luto se materializa como um fardo pesado para ele, e mesmo assim a raposa apenas caminha, caminha, e caminha, e caminha, e é finalmente vencida, após toda a resistência. Estava em desvantagem numérica contra angústias, lembrança antiga, sentimentos, cansaço. Quem vem em seu socorro nos momentos de total perdição é parte de si mesmo. Só assim a “salvação da imersão em melancolia” pode ser efetiva. As gêmeas katanas, unidas na guerreira semelhante a seu mestre chamam pelo seu nome. Inicia-se dessa maneira um diálogo a quatro em seu mundo espiritual, o mundo das tempestades agora completamente tomado por uma chuva de dor e tristeza.

Capítulo 8 – Outra história


– “O que querem de mim? Vocês já sabem o que está acontecendo...”
– “Queremos o seu poder.”– responde a guerreira de katana dupla. Voz dupla também ela tinha, e com voz dupla continua. “Graças a seu poder, eu e aquela raposa branca existimos. Não queremos morrer, assim como qualquer ser vivente. Queremos seu poder, o de nos dar vida.”
–“Seu coração tomado pala tristeza acabará apagando a nossa existência, essa chuva acabará varrendo de seu interior a nossa existência!” Era a raposa continuando.
–“A chuva, que nunca deixa de me lembrar uma pessoa...”
–“Mestre... A Hatsumomo se foi, nem mesmo a mais poderosa das criaturas desse lugar pode restaurar uma vida perdida” Dizem as katanas
– “Não... não era ela, não era exatamente ela... era algo que eu pensaria muito antes de contar até a mim mesmo.”
– “Ora filhote, nós somos você. Em parte... nossos contratos feitos... comigo, um selo de minha vontade própria, com elas, um pacto. Nos dois casos, união e submissão a você.”
–“Sábias raposas e entidades... com as colossais capacidades de argumentação. A Hatsumomo era como a chuva... por isso me lembrava alguém. Alguém que foi importante na minha vida. Vivi por muito tempo no escuro e na ignorância, no frio, na solidão. E essa pessoa apareceu e me tirou disso, era alguém que mantinha longe do frio da solidão, e desta última propriamente dita. E o que verdadeiramente se chama solidão aparece na ausência de amor, foi o que ela ensinou. Mas ela, aquela pessoa me manteve longe disso. A pessoa que por momentos me deixou de forma aconchegante em seus ombros. Quando ela fazia isso apagava toda angústia, tristeza, cansaço ou ansiedade que residia em mim. A pessoa que algum tempo depois não me recebeu mais em seus braços, nunca mais me iluminou com um sorriso, nunca mais me fez entender inúmeras palavras com um simples olhar, nunca mais me guiou puxando-me pelo pulso... nunca... Fiquei feliz mesmo assim, mesmo com a distância tornando isso tão triste e drástico. Antes de ir ela me ensinou outra coisa. Mais vale a ausência sincera do que a presença falsa e incompleta. E após me ensinar aquilo... reticências. Tentei ler aquelas reticências, aqueles olhos eram vagos por natureza, ela foi o maior mistério que eu tive em mãos. Costumo dizer que as personalidades parecem enigmas. E quanto mais deciframos o enigma de alguém, mais sabemos da personalidade daquele alguém. As existências ficam nesse eterno jogo, liberando partes de seus enigmas propositadamente, escondendo outras para que não sejam vistos por certas pessoas. É certo que não dá pra decifrar totalmente a outra pessoa, mas eu sempre gostei de ver o máximo que conseguia. E apesar de tudo, apesar dela dizer “até que você me entende”, ela foi o enigma mais complexo que eu tive pra decifrar. E antes que ela me acolhesse mais uma vez, se foi. E assim até a chama eterna da esperança perdeu forças e apagou.”
–“Você só se preocupa com os problemas dos outros. Se você arrumar só a vida dos outros, quem vai arrumar a sua vida? A solidão não provém da falta de companhia, ela nasce da falta de amor, assim como ela ensinou. A sua “pessoa importante”... por isso chove nesse mundo, e nós sentimos frio, assim como você, filhote. ”Responde a raposa gigante, acolhendo a pequena raposa entre as patas.
–“Raitun... Raitun! A sua voz é a que alcançou as nossas almas. Ela que nos uniu e nos aconchegou... deu-nos um ombro para nos sustentarmos. Por isso queremos ouvir novamente sua voz. Sempre. Não somos muito fãs da chuva, não neste mundo. Neste mundo também chove. Quando você enfrenta problemas, quando está com a calma tomada pela melancolia, o céu aqui se fecha e começa uma chuva que nós odiamos. Odiamos essa chuva, e temos medo de nos molhar nessa chuva, nesse mundo solitário. Queremos parar essa chuva, e vamos emprestar a você todo o poder que precisas, mostraremos a você o quão poderoso é a perfeição em forma de aprendiz. Vamos nos acolher uns nos ombros dos outros, e cooperar, e não deixar o outro com frio. Você compreende o pavor que tenho dessa chuva? Não queremos mais que chova aqui, queremos apenas nossos ventos assustadores e tempestuosos. Se você acredita em mim, digo-lhe que não deixar um pingo de chuva nesse mundo. Se chamar os nossos nomes, atenderemos ao seu chamado, até destroçar nosso inimigo! Acredite em nós, mestre. Você não é o único que está lutando para arrumar os problemas dos outros, e seus próprios problemas. O poder de acreditar é seu.”
–“Acredite em nós, e reacenda o fogo da raposa. Acredite que não é o único que luta para arrumar problemas alheios, e seus próprios problemas. Você tem o poder de acreditar.”

sábado, 3 de maio de 2014

Projeto - Parte 2, Capítulos 5 e 6



Capítulo 5 – Muito sugestivo


Raitun passa o braço pela cintura da sacerdotisa, abraçando a firmemente por trás. A mão livre encontra a mão da elfa que segura o arco com facilidade, e enquanto o resto do grupo distrai o dragão, eles reiniciam a conversa.
– “Posição sugestiva, não é?” Comenta Lilith
– “Deve ser exatamente isso que os outros estão pensando. Quase posso ouvi-los pensando isso. Perdoe-me pela insolência, mas na resisti á oportunidade”.
– “Isso quer dizer que além de tudo está tentando me seduzir?”
– “Temo dizer que é o contrário, Grande Lilith.”
– “Com quem aprendeu tanto?”
– “Com a melhor. Ela é tão boa que talvez me ensine como se mate dragões."
– “Ah, vai sim. E com todo o prazer, coisa fofa.”
O casal abraçado toma posição e uma flecha de luz toma forma no arco. Mas não era mais apenas uma flecha de luz como as que Lilith costuma usar. Adicionando seus poderes ao poder do aprendiz o mana em volta dos dois toma forma, e sua aura combinada tem uma presença tão poderosa quanto à do dragão. O mana dos dois tomou literalmente forma. Diria que posso descrever como um gigantesco arqueiro alado feito de pura mana, com duas asas gigantescas. Não era como uma entidade invocada, e ao mesmo tempo era como uma. Rodeava o casal, como se eles tivessem tomado a forma daquele arqueiro. A entidade materializa um arco de seu tamanho, muito parecido com o da sacerdotisa, e enquanto este começa a reunir mais mana usando o mesmo processo de Lilith para fazer flechas os outros continuar a atacar e distrair o dragão. Porém diante da ameaça do arqueiro o dragão volta atenção para os dois que estão invocando algo tão poderoso quando ele. Ele tenta atacá-los várias vezes, e os golpes são defendidos pelo grupo, mas um dos golpes acaba atravessando a defesa, e uma rajada de fogo é lançada sobre os dois, sem surtir efeito, a entidade envolta de mana maciça os protege e não sofre danos. Após receber o ataque a entidade contra ataca com uma flecha, que encontra no caminho uma rajada de mana vinda da boca do dragão. A flecha atravessa isso facilmente e destrói uma das seis asas do demônio em forma de dragão. Com um tiro na cabeça e um último no coração o grotesco dragão é derrubado, e partes de seu corpo começam a se desfazer, até que ele suma por completo. A entidade faz o mesmo, dela sobra apenas o original Mihawk, que se encontra na mão de Lilith, que se encontra deitada por cima do aprendiz, que no momento foi encontrado deitado na grama (com a sacerdotisa ainda em cima dele), exaustos por terem usado muito mana.
– Estão melhores do que eu esperava... O uso de poder espiritual causa cansaço físico, e é preciso uma enorme resistência física para aguentar uma grande quantidade de poder e aumentar a duração de uso desse poder. – é o que Yumi comenta.
– É verdade, concordo... O que aconteceu?
– Não consegue se lembrar ou não entendeu o que acaba de acontecer? Perguntou Hanna
–...
– Deixe-me ver como posso explicar-lhe de forma convincente. Ela pediu seus poderes, correto?
– Não, eu os ofereci.
– Dá quase no mesmo.
– Há uma diferença colossal entre um e outro.
– Ora, por que você não a deixa continuar? Interrompe Yumi.
– É coisa fofa... Deixe-a continuar... Sussurrou Lilith, fechando os olhos e se aconchegando em cima do aprendiz.
Hanna retomando o assunto: – Então você OFERECEU os seus poderes para que ela pudesse derrotar Ayenth. Ela aceitou e em vez de repetir o ataque usado no primeiro dragão, inteligentemente fez uso de algo mais poderoso: Ancient mana. Magia poderosa e antiga de nossos ancestrais.
– Um dos anjos usa o poder dos dois, e estes se convertem em um único, proporcionando a vitória dos dois, completa Yumi.
– Interessante. Mais interessante seria obter mais detalhes sobre isso. Correto?
– Correto... Mas... Me leve para casa... – sussurra de novo (Lilith)
– Vamos... – Diz o aprendiz, levantando se e pondo a sacerdotisa nos braços.
– Enquanto você a carrega, eu vou cobrar nossa aposta, diz a raposa antes de sumir.
– Então, acho que esta é minha deixa, diz a musicista guardando seu instrumento. Espero que as boas melodias o acompanhem e sejam levadas junto com os ventos que correm para você. E que a brisa traga as notas certas.
– Isso é um enigma junto de uma despedida para na mais voltar?
– Informação confidencial.
A garota se põe a caminho, a musicista e seu instrumento juntos em um saem em busca de novas melodias.
– Nos veremos novamente, Srta de seios volumosos...
– Eu quebraria cada osso seu em sete lugares se ainda me restasse energia.
– Então, recupera-te e faça isto.

Capítulo 6 – Aquela história continua


Yumi pensou em chamar a sacerdotisa Alexis, porém antes de fazê-lo olha novamente para Raitun e Lilith, e tem algo a ideia fixa na mente de deixá-los a sós. Também é interessante para o aprendiz treinar suas habilidades de cura. A arquiduquesa resolve chamar a Srta. Hitch e em breves sinais e palavras lhe dar uma mensagem. Ela pretendia manter os olhos no casal e para tal envia Hitch com os olhos neles e magia em volta dos três. Enquanto o aprendiz está em forma de raposa e Lilith está em suas costas, deitada, abraçada em seu pescoço, a maga faz seus preparativos. Eram uma poção de invisibilidade mostrada anteriormente ao aprendiz e uma pequena mochila (logicamente como era algo como uma “missão de espionagem” ela faz o possível para não ser percebida, talvez não com sucesso e eles a tivessem ignorado) onde guarda alguns frascos vazios.
A partir desses momentos avançamos um pouco o tempo, após uma conversa sussurrante entre os dois no caminho, a sacerdotisa está sendo curada de seus ferimentos pelo aprendiz. Um clone do aprendiz, melhor dizendo. Lilith se posiciona de forma que Raitun possa ser acolhido em seu colo. Relativamente bem, ela própria puxa assunto.
– Parabéns por ter ganhado a aposta.
– Graças a sua ajuda.
– Nada disso. Graças aos seus poderes, seu suprimento espiritual interminável... Que fôlego garoto!
– Graças à cooperação de todo o grupo, conseguimos purificar o mal contigo naquela criatura, correto sacerdotisa-san?
– Correto, coisa fofa plagiadora de frases enormes que falam de coisas santas.
– E é preciso algo desse tamanho para ficar me definindo?
– Quer apenas uma palavra?
–Quero.
–Chato.
–Menos.
–Desajuizado.
– Não?!
– Estranho?
–Talvez...
– Obscuro.
– Relativamente.
– Misterioso!
– Sim!
– Não.
– Qual?
– Anormal.
– Perfeito. Um ataque de riso conta dos dois no momento.
– Lembra da história?
– Aquela cheia de coisas místicas e deuses, e algo do tipo?
– “Exato.”
A garota interrompe a leitura do ancião, dizendo: “Para realmente entender o agora, é preciso rever o que se passou”. Então foi por isso que ela resolveu contar a tal história para o aprendiz.
– Exatamente. Ainda lembra-se da história do começo de tudo?
– Lembro, lembro muito bem.
– Então podemos continuar pulando a história que está na história?
–Podemos sim, assim economizamos tempo.
–Onde ela continua... – diz ele folheando o livro, até apontar algo em uma página. Aqui, em “o incansável trio se rende ao cansaço...”... “caindo assim os três em um sono tranquilo e profundo...”.
Em meio a sonhos e devaneios que levam ao delírio profundo, em meio às sombras, uma foice negra se prepara para ceifar a alma do aprendiz. A morte dessa vez foi falha, e falha miseravelmente. Aprendizes dormem, elfas dormem, mas entidades não dormem. As irmãs katanas aparam o golpe, e enquanto se materializam a sacerdotisa desperta e aponta o arco para a pessoa encapuzada que tentou tirar a vida do garoto. Rapidamente ela nota os detalhes da foice.
– Essa foice... Você é realm-
– Desarme! Diz a Srta Hitch, saindo de seu “esconderijo”. Como as katanas, a foice e o arco estavam praticamente disputando o mesmo espaço, as quatro armas são lançadas para longe. A única que se mantém no lugar é a varinha da maga. A esta altura, já estava imobilizando a invasora com magia.
O aprendiz levanta-se do colo da sacerdotisa e se espreguiça (e a sacerdotisa por algum motivo tapa os olhos com as mãos durante esse momento) e indaga ao invasor:
– Ora Amy... Há quanto tempo. É um costume seu visitar regularmente os forasteiros?
– É um costume teu nunca me acordar cedo? Quase perdi a parte divertida da festa, interrompe Hitch.
–Não lhe desperta algo essa minha comum situação? Nenhuma lembrança?
– Ah, muitas... Inesquecíveis, afinal, a chuva me lembra uma pessoa.
– Como a tempestade descobriu minha presença em meio a tal desordem? Alguma habilidade especial de perceber auras mesmo que elas estejam escondidas?
– Não... Algo infinitamente simples: reconheci-te pelo cheiro. Lembro-me fielmente dos cheios de pessoas importantes... Impossível confundir um com outro, diz ele franzindo o nariz.
– Agora você tem algo a mais para lembrar-se dela. Mais uma vez, ela tentou lhe matar. Na nossa frente, como fator agravante.
...

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Projeto - Parte 2, Capítulos 3 e 4



Capítulo 3 – Duplas problemáticas


– Sir Raitun! Lady Hana! – Mais problemas: Pyth voltou. Dessa vez junto de seu pai, e estão rumando para Midgard. A nossa mestra está segurando os dois com uma barreira e sendo auxiliada pela sacerdotisa Mary Anne. Elas não irão suportar por muito tempo.
– Precisamos ajudar. Algo mais a relatar?
– No momento não, Sir Raitun.
– Por que Yumi não entra em combate? E o que diabos Sigfried faz por perto sem ajudá-la? Indaga o aprendiz após sentir as auras do lugar.
– Querem nos ajudar a ganhar a aposta. Vamos nos apressar, aprendiz estúpido. –Responde Kitsu.
– Ainda não. Indo com corpo e alma avariados não vão poder fazer muita coisa.
– Alexis, a mestra em artes de cura. Sendo você quem diz, devemos realmente esperar. Diz a raposa, enquanto a recém aparecida Alexis começa seu trabalho. Envolvendo os alvos em escudos de mana e luz ela começa a recuperar não apenas as feridas físicas, como as espirituais, além de recuperar o mana dos guerreiros. Isso leva algum tempo, considerando a quantidade de alvos da magia e a quantidade de mana perdida. Após severos minutos gastos com a sessão de cura, o time de quatro pessoas (ou três pessoas e uma raposa, como preferir) se dirige ao campo de batalha. A elfa sacerdotisa retorna para seu templo, e reza por uma vitória sem maiores danos ao reino e seus habitantes. No caminho a raposa volta a se fundir com o aprendiz, e o time agora composto por uma raposa montada por duas mulheres estonteantes se põe novamente a caminho, planejando destruir os ameaçadores dragões.
– É, até que é confortável montar no aprendiz, não acha?
– Dessa vez eu concordo, tem algo de bom nele.
– Será que é confortável montar na forma original dele? – Pergunta Lilith com uma ligeira malícia em seu sorriso
– Não sei... Mas dá vontade de testar.
– Sei como é isso, também tenho.
– Parem de falar essas coisas pervertidas como se estivessem sozinhas! Diz o aprendiz interrompendo as duas.
– Mas estamos sozinhas, e montadas em uma raposa gigante.
– Dessa vez não temos culpa. Você quem foi ver o lado pervertido da situação, seu pervertido.
– Calem-se. – A raposa abaixa as orelhas e ganha velocidade rapidamente, Com o impulso Lilith Se desequilibra e abraça Hana para não cair.
– O que houve? Indaga Hana
– É que eu tive que me segurar para não cair.
– E foi segurar exatamente meus seios?
– Ah, foram as primeiras coisas que encontrei. Perdão.
– Você ainda está apalpando-os.
– São bem volumosos, assim como o aprendiz constatou. E macios. Bem macios.
– Pare com isso! Assim você vai acabar me deixando com vontade de... Pegar nos seus!
– Você quer coisa fofa?
– Posso mesmo? Diz Hana com os olhos cintilando
– Não, não pode! Grita o aprendiz interrompendo as duas – Parem com isso!
– Ora... Ataque de ciúmes. E olhe que nem começamos nada. – diz Lilith, na mais pura intenção de provocar o aprendiz. A raposa dessa vez foi mais esperta, e o foi suficiente para fugir da armadilha.
– Vulpes agilita! – Dizendo as palavras certas, a raposa se move para o destino como um raio de luz.
– “Parabéns... aprendeu a minha técnica. Aliás, fez algo mais: aprendeu o nome da técnica. Saiba que existe um abismo de diferença em saber ou não saber o nome.”
– “Deu para perceber pelas espadas. Elas eram apenas espadas até eu conseguir ouvir seus nomes.”
– Finalmente chegou, diz a voz de Lilith.
– Raposas são tão desligadas a ponto de chegarem atrasadas nas suas missões? –Indaga Hana
– “Não, já os aprendizes pervertidos cujo mestre raposa não tem controle da velocidade...”
– “Dane-se, raposa estúpida.”
– “Olhe para frente e responda, aprendiz idiota.”
– “Perdão pelo atraso”, responde o aprendiz. Só após isso nota que apesar do peso de suas costas se manterem igual, as duas mesmas mulheres sorriam à sua frente.
– Estranho... Algum tipo de ilusão?
– Não, tente novamente. – respondem as quatro juntas.
– Ahn... Aqui a matéria pode ocupar dois lugares simultaneamente?
– Não, aqui nós podemos fazer clones. – Dizem as originais, enquanto os clones se desfazem em fumaça.
– Explique-se.
– Treinamento. Você deveria estar atento, perceber que eram clones e se apressado. Fique sempre alerta Raitun, pessoas podem se transformar em algum aliado seu, mas se você estiver alerta pode detectar que é um impostor. – Explica Hana
– Há quanto tempo... Quem é você mesmo? – diz Lilith
– Esqueceu meu nome agora?
– Mentira! Era brincadeira, coisa fofa. Após uma pausa, ela continua: estive te esperando.
– Como assim?
– Há muito tempo... Estive te esperando.
– Do que você está falando?
– Te esperei muito... Muito, muito... Por muito tempo. – Lilith abraça o aprendiz, o mais forte que pode, mesmo que ele não esteja em forma humanóide. O aprendiz em sua forma de raposa, sendo esquentado pelo calor do corpo da sacerdotisa responde
– Não entendo... Mas sinto que são palavras tristes... Muito... Muito tristes. Farei o que puder para entender... Portanto, tente me ajudar com isso.
– Ajudarei no que for necessário, coisa fofa.
– O casal pode parar com o namoro e se concentrar?
– Não somos namorados! Dizem os dois ao mesmo tempo, em sincronia perfeita
– Ainda não... – Comenta Yumi.
– Abra a barreira, fala a raposa, e a Arquiduquesa atende prontamente o pedido. Assim recomeça o embate das bestas. Pyth contra a raposa, Hanna e Lilith contra Loth. Sem paciência, e talvez para contrariar a última batalha, o primeiro dragão é fácil e rapidamente vencido com uma mordida no pescoço. O grande problema agora era Loth.  O pai do dragão morto, que além de poderoso era arrogante, estava “apenas esmagando insetos”.
– As suas flechas são a única das nossas habilidades que causa algum dano nele.
– Mas não são poderosas o suficiente.
– E se elas fossem poderosas o suficiente?
– Como você pretende causar um dano tão maciço e derrubar um dragão com uma flecha?
– Usando meu mana além do seu, diz o garoto voltando à forma original. Vamos unir nossos poderes assim como fiz com a raposa.
– Não nos resta nada a não ser tentar. Kitsu, Hanna, criem uma abertura. Yumi, Mary, fiquem na cobertura, assim não se esforçarão tanto.
– Graciosa até nas mínimas ordens, comenta Raitun.
– Galante como sempre. – Responde a sacerdotisa, e após a situação acena para o aprendiz, este põe sua mão sobre o ombro dela e transfere um pouco do seu poder para ela, que lança os dois poderes no coração do dragão.
– Vocês (se referindo também a Kitsu que havia ajudado no último golpe) não precisavam ter dado tanto poder para minha flecha, o de um só é suficiente. Acho.
– O que importa é que ganhemos nossa aposta, ou talvez um pouco mais.

Capítulo 4 – Algo bom e Nada bom


– Nada bom. Algo mais poderoso está vindo, comenta Yumi com uma expressão preocupada.
– Mais poderoso quanto?
– Mais do que os outros dois juntos. Não entendo, a existência dele havia sido apagada há tanto tempo, não acredito que seja realmente ele.
– Quem é esse “ele”? Pergunta o garoto.
– Ayenth.
– Ayenth?! Indaga um coro incrédulo.
– Quem diabos é Ayenth?
– Temos tempo para isso? Pergunta a grande raposa. Após receber uma resposta positiva retoma as palavras. Preste atenção garoto, pois tenho uma história antiga e dominada por magias para lhe contar. Embebida em coisas épicas, excentricidades e valores. Um breve silêncio tomou conta do local naquele momento.
– Por que a hesitação Kitsu? Pergunta Raitun, afinal em vez de história escutou silêncio após aquelas palavras.
– Tempus levitatus... É o que ela responde.
– O tempo voa, em uma língua morta do seu mundo. Para os personagens de uma história tudo parece ter acontecido ontem, ou estar acontecendo, diz Lilith.
– Voltando os ponteiros, você vai descobrir muitas coisas ocultas. – Talvez a raposa tenha dito isso como forma de traduzir algo que Lilith resmungou de forma não compreensível. A sacerdotisa continua.
– Deixe isso comigo. Não é o momento certo de se ficar contando histórias épicas. Quando for faço bom uso do recurso.
– Concordo. E antes de tudo, é uma sugestão da grande Lilith, comenta Yumi. Hanna acena positivamente, mostrando concordar também.
– Já que todas as meninas concordaram, o seu desejo mútuo será uma ordem. Lembre-se de todos os detalhes se possível.
– Um detalhe muito importante é o local do seu túmulo: aqui.
– E você é...?! Pergunta Lilith, fitando o encapuzado que acabar de proferir e rase e aparecer em meio a eles. Em vez de responder verbalmente, este se transforma em um dragão. Um enorme dragão. Negro, maior que os outros dois e com uma aura terrível, realmente densa e assustadora para o aprendiz.
– Holy Arrow! São as primeiras palavras da batalha proferidas por Lilith, invocando uma flecha de luz sagrada. A flecha causa um dano considerável na asa do dragão, infelizmente ele também tem uma regeneração estupidamente rápida. O aprendiz puxa suas katanas e começa a tentar atacar o dragão. Apesar do empenho e da quantidade de golpes, os ataques físicos do aprendiz são inúteis em relação a regeneração quase instantânea. Os ataques com a música vindos da guitarra de Hanna também não surtem efeito. Canções de ninar não fazem demônios terem pesadelos, a melodia dos trovões não traz nenhum medo aos orgulhosos serem acostumados a rotineiramente aniquilar cavaleiros: Uma flecha sagrada abre mais um furo em sua asa, e é o que o grupo precisava para matar a charada do ponto fraco do inimigo.
– Use novamente seu poder! Grita Raitun. E dessa vez, mantenha o foco no coração!
– A marca inscrita nesse coração orgulhoso é muito grande para este simples inseto que vocês chamam de sacerdotisa arranhá-lo. Nossa escuridão é mais densa que a sua luz, e por isso este lugar seu túmulo.
– Como diria a Louise... No reino de Montris o inseto esmaga VOCÊ! Gritou o aprendiz e continuou a mensagem diretamente dirigida para a mente da sacerdotisa.
– “Por que ainda não atirou?”
– “Por que meu poder é suficiente. Você viu que não é, que a regeneração dele é muito alta. Se eu quisesse atirar duas flechas no meio tempo ele teria se regenerado.”
– “Eu já sei, e já disse para você usar o meu poder junto do seu se preciso. Confie em mim”
– Vamos?
– Vamos.
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